A ficção ecológica de Bárbara Banida transforma a Cave em um planeta em regeneração. Após mais de dez anos investigando as relações entre arte, ecologia e existências dissidentes, a artista Bárbara Banida apresenta sua primeira exposição individual.

Em tempos de crises climáticas, a arte contemporânea se apresenta não apenas como espelho do colapso, mas como um laboratório de futuros possíveis. Desde o último dia 25 de julho, quem atravessa as portas da galeria Cave, no Ceará, é convidado a abandonar a Terra como a conhecemos e mergulhar em Erotar, o planeta em regeneração criado pela artista Bárbara Banida.

Com curadoria de Lucas Dilacerda e texto crítico de Chico Soll, a exposição não se limita a ocupar o espaço; ela o transmuta: a galeria foi convertida em um ecossistema ficcional e imersivo, onde o público encontra esculturas de criaturas recém-nascidas, pinturas de paisagens em mutação e formas híbridas que dialogam com a cerâmica esmaltada, o desenho, a instalação e ambientes 3D imersivos.

A mostra é o ápice de uma pesquisa visceral de mais de uma década. Banida, nome ascendente na cena nacional — finalista do Selo Mandacaru, vencedora do LabVerde, indicada ao Prêmio PIPA deste ano e selecionada para o 39º Panorama da Arte Brasileira —, traz em Erotar um convite à reflexão sobre o que sobrevive após o fim.

Erotar é a invenção de um planeta íntimo e regenerativo, um mundo que não se organiza a partir do medo do fim, mas da possibilidade de renascimento.” Bárbara Banida

Entre o barro e a espiritualidade

A exposição reúne cerca de 26 obras que percorrem linguagens distintas. Destacam-se as pinturas a óleo e com óxidos de ferro, gestadas a partir da residência artística na Serra da Capivara (PI), além de instalações site specific com carvão e experimentações sonoras. A materialidade de Erotar é rica e heterogênea: ouro, madrepérola, fotografia e vídeo convivem com o barro, matéria-prima que Banida reconhece como sua principal força criativa.

A experiência imersiva ganha camadas adicionais com a colaboração do artista Mateus Falcão nos ambientes 3D e ecoa vivências de residências artísticas realizadas pela artista em Fortaleza e Quixadá (CE), Serra da Capivara (PI) e Olhos D’água (GO).

Em Erotar, o público se torna testemunha do nascimento de um planeta misterioso, que evoca a espiritualidade no encontro da arte, ecologia e ficção. É a esperança de um mundo possível para habitar, repleto de criaturas recém-nascidas.” —Bárbara Banida

A montagem na Cave representou um território decisivo. Ao lado do curador Lucas Dilacerda e do galerista Pedro Diógenes, a artista Bárbara Banida pôde concretizar a exposição como um espaço de “experimentação radical”, trazendo para o ambiente da galeria uma complexidade frequentemente confinada a espaços institucionais ou museológicos.

Uma exposição individual é um parto, sobretudo de si mesma. Mas gosto de pensar que esta é também uma exposição coletiva, porque nasce do encontro: entre corpo e barro, entre artista e curadoria, entre uma equipe ampla que torna esse mundo possível.” —Bárbara Banida

Ao visitar Erotar, o espectador se põe diante de objetos de arte que atravessam o imaginário de um planeta em formação. Um convite para pensar em outras formas de existir, onde a ficção ecológica atua como estratégia de cuidado e mudança de paradigmas.

A mostra segue aberta, propondo um refúgio necessário em meio à aridez do presente. Abaixo, confira uma galeria exclusiva com vistas da exposição e detalhes de obras pelas lentes de Jorge Silvestre


Serviço: Exposição Erotar de Bárbara Banida com curadoria de Lucas Dilacerda e texto crítico de  Chico Soll, na Cave – Rua Pereira Valente, 757, Meireles, Ceará.

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Publicado por:Philos

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