Paulo Roberto Leal tem obra revisitada em individual na Galatea. Mostra reúne obras das décadas de 1970 e 1980, incluindo trabalhos apresentados nas participações do artista na Bienal de Veneza.

O legado de Paulo Roberto Leal é tema de exposição na Galatea, unidade da Rua Padre João Manuel, em São Paulo. Com abertura em 28 de março, Paulo Roberto Leal: maleabilidades construtivas, reúne cerca de 45 obras produzidas nas décadas de 1970 e 1980, algumas delas apresentadas na Bienal de Veneza. Com texto crítico de Mayara Carvalho, o recorte curatorial evidencia a singularidade de sua produção no construtivismo brasileiro e percorre momentos-chave de sua pesquisa, reunindo pinturas, trabalhos em papel, peças em acrílico e telas costuradas.

Paulo Roberto Leal: maleabilidades construtivas, na Galatea.

Ao longo de sua trajetória, Leal explorou constantemente materiais e suportes não convencionais, como papéis kraft e nobres, tecidos e caixas acrílicas, questionando os limites entre pintura, escultura e instalação. Nos anos 1980, intensificou o uso da cor e incorporou referências do espaço urbano e da arquitetura, como nas séries Habitantes, Fachadas e Regata (1985)

Sua participação na Bienal de Veneza marcou um momento decisivo em sua trajetória. Em 1972, apresentou a série Armagens, composta por trabalhos em caixas de acrílico transparente, que revelam o rigor formal de sua pesquisa e seu diálogo com o legado neoconcretista. Em 1980, aprofundou a investigação sobre estruturas modulares e a relação entre suporte e imagem com o conjunto Entretelas. Algumas dessas obras integram a exposição, retomando obras centrais de sua trajetória internacional. 

Em 1984, atuou como curador, ao lado de Marcus de Lontra Costa e Sandra Magger, da histórica exposição Como vai você, Geração 80?, realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, marco da arte brasileira da década. Após sua morte precoce, foi criado o Projeto Concreto/PRL, em 1993, e em 1995 o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) implantou o Centro de Referência Iconográfica e Textual Paulo Roberto Leal, com a documentação deixada pelo artista. 

Hoje, suas obras estão presentes em importantes coleções públicas, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói) e a Art Gallery of Ontario (Toronto, Canadá). Entre os principais prêmios que recebeu ao longo da carreira estão o Prêmio Bienal de São Paulo (1971), Prêmio de Aquisição do Salão Nacional de Arte Moderna (1970) e o Prêmio de Aquisição do Salão Nacional de Artes Plásticas (1982). 

A exposição reafirma a importância de Paulo Roberto Leal no cenário da arte brasileira, evidenciando um percurso marcado pelo rigor formal, pela experimentação e pela capacidade de articular tradição e inovação. Mesmo com uma produção desenvolvida em um período relativamente breve, interrompido ainda jovem, sua obra permanece atual, revelando precisão, inventividade e uma poética própria que seguem influenciando gerações e consolidando sua presença no construtivismo brasileiro. 

Sob o comando dos sócios Antonia Bergamin, Conrado Mesquita e Tomás Toledo, a Galatea conta com dois espaços vizinhos na cidade de São Paulo: a unidade localizada na Rua Oscar Freire, 379 e a nova unidade localizada na Rua Padre João Manoel, 808. A galeria também tem uma sede em Salvador, na Rua Chile, 22, no centro histórico da capital baiana.

A Galatea surge a partir das diferentes e complementares trajetórias e vivências de seus sócios-fundadores: Antonia Bergamin, que foi sócia-diretora de uma galeria de grande porte em São Paulo; Conrado Mesquita, marchand e colecionador especializado em descobrir grandes obras em lugares improváveis; e Tomás Toledo, curador que contribuiu para a histórica renovação institucional do MASP, saindo em 2022 como curador-chefe. Com foco na arte brasileira moderna e contemporânea, trabalha e comercializa tanto nomes consagrados do cenário artístico nacional quanto novos talentos da arte contemporânea, além de promover o resgate de artistas históricos. Idealizada com o propósito de valorizar as relações que dão vida à arte, a galeria surge no mercado para reinventar e aprofundar as conexões entre artistas, galeristas e colecionadores. 

Paulo Roberto Leal: maleabilidades construtivas, na Galatea

Serviço: exposição Paulo Roberto Leal: maleabilidades construtivas, com texto crítico de Mayara Carvalho, na Galatea, Rua Padre João Manuel, 808 – Jardins, São Paulo – SP, de 28 de março a 9 de maio de 2026. Visitações de segunda à quinta das 10h às 19h; sexta das 10h às 18h e sábado das 11h às 17h.

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Publicado por:Philos

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