Das mãos de Ayre que colhem a semente de Jatobá
que passam para Makawa
Das mãos de Makawa que colhem as sementes de Macaúba
e Mamoninha que passam para Maiku
Das mãos de Maiku que colhem as sementes de Murici
e Pequi que passam para Core
Trilham floresta adentro, entre folhas secas de serrapilheira
Colhendo vidas
Abrindo espaço de falas e sonhos
Na ilha da mata
Ainda intocada
Das mãos de Mulheres coletoras de sementes
Um novo rumo possível de restaurar e replantar
Água
Como formigas cortadeiras
Fazem o caminho do cooperar, as Mulheres Yarang
Semeiam o solo, reflorestam beiras de rios, matas e nascentes
Das mãos de Mulheres coletoras de sementes
Se realimentam as veias límpidas que pulsam o Rio Xingu
Se trava a batalha contra o tempo
De esgotamento e erosão
Derretimento e contaminação
De sequia, que não mais sustenta
Vida
Rodeada por terras áridas arrasadas
Das mãos de Mulheres indígenas das águas do Araguaia
Semeia-se a resistência no produzir toda cor de alimento
Fazendo revoar pássaros e ressurgir bichos
Retendo placas polares glaciares
Das mãos de Ayre, Makawa, Maiku, Core,
Indígenas, Ribeirinhas, Caboclas e Quilombolas
Semeadoras da terra, do vento e das águas
Se sustenta o Céu e o Sol
Pelas mãos de Mulheres
BRUNA STEIN brasileira, economista e ambientalista, amante da poesia. Acredito que a transformação esteja nas vozes femininas mantenedoras de práticas ancestrais. Através dos saberes dos povos e comunidades tradicionais podemos recosturar a fissura entre as pessoas e a natureza, elevar o valor da vida e da terra. A poesia como uma das formas de troca faz ecoar um novo modo de viver. Que sejamos poesia.