Ouvia bem menina… hoje estou chegando aos sessentinha. Lá naquele tempo, minha vó materna cantava a ladainha, desmotivando suas belazinhas: -Mães de famílias não precisam versar letrinhas!
Mal ouvida e curiosa, minha mãe obedece ao “Pai Crente”, Vô generoso apostava em futuro de filha valente. Ele um trovador de primeira, amava cultura popular, abrigando embolador, seu terreiro lunar,
Recitando em alvoroço, eis que homem junta novidade verso e prosa, encanta gente verdadeira que aplaudindo volta.
Levou-a à alfabetizar escondida,
Maria esposa não permitindo, discute, desobediência agride,
Vicente insistente e vence briga, pontuando bem a frente, placar marca no gol parado,
Vejam que drama este senhor conclama na sua moradia!
Nossa mamãe aprende rápido, passa aprendizado as suas proles sementes que germinaram,
Quebramos encapsulados, germinamos esperanças, fé, crenças, cortando amarras,
Virgindade nem sabíamos existir ainda, calcinhas de algodão vestíamos tão fracas rasgavam.
Dos dezessete filhos que tivera, numerosos…metade pobreza extrema enterra,
Dedicou tarefa árdua, mostrou juntar pedaços nos salva,
Não desistam de acalentar “liberdade”, buzinando tanto agouro importunava juízo escalpo,
Dizia ela, mostrando caderno, lápis, tabuadas, candieiro a querosene aceso na sala de casa,
Educação abre portas, caminhos, uma profissão de vergonha, misturava logo alhos a bugalhos,
Acenando dedo falava sempre, sempre, sempre…
-Liberta homem, mulher, escravizador veste patrão, parceiros mané.
Além do seu tempo essa guerreira consciente, cultivando saber nos deu imenso prazer conhecê-la,
Minhas irmãs e eu fizemos daquelas lições, somadas paixões pra vencermos,
Pronomes ensinados como: eu, tu, ele, nós, vós, eles, enquadrados ao quadrado,
Três delas professoras, me inflam de imenso orgulho, Enfermeira, Contadora, Economista, até Técnica em
Gestão Portuária, acreditem (somos do mar), frutas brotaram pomar,
Lembranças dela, Dona Anunciada, nos elevam de graças, melhor que cachaça, apurada no barril de amburana talhada…
Teimosa demais, briguenta idem, cascuda, couraça adquirida enfrentando espinhos cactos silvestres,
Resquícios de sofrimento transformou sua vida, as nossas também…quanto aprendizado,
Cicatrizes faziam olhar se perder quando em vez, escondia tristeza guardada morada nudez,
Tanto amor nos defendia, pra briga até partia, batendo firme quando conselho se dissolvia em sandices,
Absolvição? Não é bem assim, de joelhos em prece orações a Jesus Cristo alcança somente quem pede,
Chegava sem nenhuma covardia, acalentava choros, lágrimas, sonhos desfeitos, talvez dela fosse a dona como desejo…
– Concluo vos afirmando, Educação e Cultura são heranças preciosas, deixada por “Pais e País”, dando dignidade e autoestima aos seus filhos e cidadãos, se constituindo como principais instrumentos de inclusão e justiça social, afirmando longevidade a qualquer projeto de nação que se queira construir.
SOLANGE BARBOSA, escrevo com um propósito sublime, conscientizar pessoas que destoando pensamentos coletivos, individualizam comportamentos que a sociedade já comprovam assertivos para um ambiente de harmonia.