“Minhas telas são como um anzol” Pietrina Checcacci 

Perto de completar 83 anos, Pietrina Checcacci, artista nascida na Itália e residente no Rio de Janeiro desde seus treze anos, ganha uma dupla homenagem, no Rio e em Sampa!

No Rio, a Danielian Galeria, na Gávea, reuniu 35 obras produzidas por Pietrina desde 2005 até agora, várias delas inéditas. Fazem parte esculturas emblemáticas feitas nos anos 1970, 80 e 90.  O corpo feminino passou a ser o principal tema da artista a partir dos anos 1970, quando em meio à tortura ou ao exílio, momento em que o Brasil vivia sob uma ditadura, “o corpo representava o primeiro espaço da manifestação política”, observam Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto, curadores da exposição. As obras abordam questões que atravessam a trajetória da artista, e o reconhecimento de uma matriz pop/kitsch com referências surrealistas em sua pintura.

Mão Espalmada, Pietrina Checcacci

Pietrina Checcacci se dedica ao longo de 60 anos de carreira artística a esse espaço de provocação e conquista. Entre a pintura e a escultura, a projeção de um feminino de detalhes, paisagens e cosmos – a matriz da existência. Esta exposição reúne obras de diferentes períodos de sua criação para instigar olhares frescos para uma produção que segue ativa e vibrante.” Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto

Esmadofa, Pietrina Checcacci
Esmadofa, Pietrina Checcacci

Em São Paulo, a Galeria Galatea inaugurou também a mostra “Pietrina Checcacci – Táticas do corpo”, com destaque para seus trabalhos de cunho político, que dialogam com a estética da Nova Figuração Brasileira, e também para as pinturas que trazem o corpo em primeiro plano a partir do olhar feminino.

Eva Terra, Pietrina Checcacci
Eva Terra, Pietrina Checcacci

Os curadores Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto afirmam no texto que acompanha a exposição “Carnação”:

“Em um caminho adjacente às guerrilhas artísticas do cenário na época, suas investigações estéticas no campo da pintura e do desenho levaram-na a desenvolver uma identidade visual própria que trazia do pop, a apropriação da imagem, e do kitsch a assimilação de visualidades e linguagens na popularização destas imagens”. 

Eu por Eu mesma, Pietrina Checcacci
Eu por Eu mesma, Pietrina Checcacci

Para o curador Marcus de Lontra Costa:

Pietrina acentua a presença feminina na arte pop brasileira com suas figuras sensuais repletas de desejo. Fiel à imagem, Pietrina faz do corpo a sua principal ferramenta de criação e encantamento de mundo. Suas formas arredondadas, como as curvas e dobras barrocas, fazem do corpo feminino um território de luta, empoderamento e prazer”

A Força
IMAGENS DE FORTE IMPACTO VISUAL

O curador Rafael Fortes Peixoto destaca que:

Pietrina faz parte de uma geração de artistas mulheres fundamental para estruturar a libertação e ampliação do cenário artístico e cultural brasileiro. Com imagens de forte impacto visual, suas obras fazem parte do imaginário das décadas de 1980 e 1990. A ideia dessa exposição é mostrar para o público tanto obras desse período como também a produção atual da Pietrina, que fará 83 anos, e está a todo vapor”.

Fatal, Pietrina Checcacci

Pietrina nasceu em 1941 na Itália e com treze anos se mudou para o Rio de Janeiro. “Na conturbada década de 1960, integrou-se ao cenário cultural, participou dos principais salões e mostras ao lado de contemporâneos como Rubens Gerchman, Claudio Tozzi e Ivan Freitas, e desenvolveu pinturas com forte influência da pop americana e da denúncia política que marcou a produção daquela geração de artistas”, contam.

Carnações, Pietrina Checcacci

E destacam que:

“nos anos 1970, o corpo feminino assumiu o protagonismo em suas telas. Neste período no Brasil, entre o exílio e a tortura, o corpo representava o primeiro espaço da manifestação política, frágil pela insegurança e forte pela capacidade de resistência”. Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto

“Numa postura audaciosa para o mercado brasileiro, Pietrina manteve uma relação mais íntima com o público do que com a crítica de arte, quase sempre impregnada de historicismos e conceitualizações. Sua produção, a partir da década de 1970, reflete estratégias de ação que apostavam na popularização como ferramenta democrática de acesso à arte e de questionamento do papel da mulher na sociedade, sem, no entanto, abandonar a importância do fazer artístico. Na pintura, através de grande habilidade técnica, Checcacci desenvolveu imagens de forte apelo visual que são como jogos para o olhar. Numa visão do corpo como signo cósmico da vida, a artista passou a utilizar a imagem como ferramenta de propagação de provocações, submetendo-as à experiência primeira do olhar para o belo”, assinalam os curadores.

Pietrina Checcacci, Planeta Água VI
GALATEA – TÁTICAS DO CORPO

Na galeria Galatea, a mostra “Pietrina Checcacci – Táticas do corpo”, com abertura no dia 4 de junho, apresentará aproximadamente 40 obras desde a década de 1960 até os desdobramentos atuais da produção da artista. A exposição destaca tanto seus trabalhos de cunho político, que dialogam com a estética da Nova Figuração Brasileira, quanto as pinturas que trazem o corpo em primeiro plano a partir do olhar feminino.

Fernanda Morse, que assina o texto crítico da exposição na Galatea, comenta:

“Diante de toda a diversidade das correntes artísticas em ação na segunda metade do século XX, Pietrina não seguiu uma cartilha específica. Como a própria artista diz, o ser humano foi desde o início o seu leitmotiv e ganhou cada vez mais espaço em seu trabalho com o passar dos anos. Distanciando-se de uma certa investigação em torno universo político, dos jogos de aparência e dos conflitos morais.”

Caminhos, Pietrina Checcacci

SOBRE PIETRINA CHECCACCI

Pietrina Checcacci nasceu em 1941 em Taranto na Itália e mudou-se em 1954 para o Rio de Janeiro. Cursou a Escola Nacional de Belas Artes e na década de 1960 já mantinha ativa atuação no cenário artístico carioca junto às pesquisas pop da nova figuração. Nos anos 1970, desenvolveu uma linguagem visual que toma o corpo feminino como espaço de reflexão e de criação de um repertório de imagens que questionam o lugar do desejo, do prazer e da liberdade feminina na sociedade brasileira. Ao longo dos seus 60 anos de trajetória artística desenvolveu suas pesquisas em diversos suportes como a pintura, a escultura e a gravura, mantendo uma relação de subversão quanto ao papel da imagem no ambiente contemporâneo. Ao longo dos anos, Pietrina realizou diversas exposições individuais e participou de mostras de relevância nacional e internacional. Seus trabalhos integram importantes coleções como a do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia e a Coleção Chateaubriand – Museu de Arte do Rio de Janeiro, entre outras obras públicas e coleções particulares em todo o mundo.


SERVIÇO: Exposição “Pietrina Checcacci – Carnação”, até 20 de julho de 2024, na Danielian Galeria, Rua Major Rubens Vaz, 414, Gávea, Rio de Janeiro. 

Avatar de Desconhecido
Publicado por:

Deixe uma resposta