Anna Bella Geiger, ativa aos 90 anos, é a única artista remanescente da histórica “1ª Exposição de Arte Abstrata”, no Brasil, em 1953, no Quitandinha, em Petrópolis. Por isso, ela ganha uma homenagem especial na Danielian Galeria, com uma mostra dedicada a sua produção de telas e “Macios”, em que vem desenvolvendo suas experiências no campo da pintura nos últimos 30 anos. A exposição de Anna Bella inaugura o segundo andar do pavilhão recém-construído atrás da casa principal na Danielian Galeria.

Anna Bella Geiger também é consultora e integra a exposição “Abstrações Utópicas”, que a Danielian Galeria apresenta em sua casa principal, com aproximadamente 80 obras de mais de 50 importantes artistas, que exploraram o universo da abstração e criaram as bases desta vertente artística, presente até hoje em nosso cenário cultural, e berço da arte contemporânea brasileira. A curadoria das duas mostras é de Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto.

Anna Bella Geiger, Maverick, 1985

As exposições serão inauguradas no dia 7 de dezembro de 2023, às 18h, para convidados, e no dia seguinte para o público. Ficarão em cartaz até 17 de fevereiro de 2024. Leia o texto curatorial:

Anna Bella devora o mundo. Pesquisa, edita, assimila e transforma realidades a partir de operações de percepção e de apropriação que costuram mais de sete décadas de produção contínua. A inquietação do olhar que encontra no caos a ordem da criação. Esta sala especial celebra a sua trajetória como parte da comemoração pelos 70 anos da primeira exposição de arte abstrata no Brasil, em 1953, tema da mostra “Abstrações Utópicas”, que ocupa os espaços expositivos da Danielian Galeria. 

As obras aqui reunidas foram produzidas em diferentes momentos de sua carreira e exemplificam o papel central da abstração em sua obra, a despeito de caminhos temáticos e conceituais. Do seu convívio no ateliê de Fayga Ostrower, Anna Bella trouxe os hábitos laboriosos da gravura, o costume pelo mergulho no processo e a percepção do acaso como recurso poético. Sua abstração parece existir entre o exercício lírico da composição/decomposição e o encontro da abstração como fenômeno que acontece no espaço, no ambiente, no cosmos, como em seus trabalhos lunares, nas obras viscerais, nas camuflagens e nos contrastes futuristas dos “Macios” dos anos 1980. De um jeito ou de outro, essas ações abstratas se dão como resultado de uma investigação sobre o espaço e de uma percepção sensível sobre as noções de território, de limites, de identidades e pertencimentos. Do suporte planar da pintura e da gravura para o mundo, a abstração orienta o discurso subversivo, cínico e questionador. Do horizonte ao local da ação.

Anna Bella é multidisciplinar, multimídia, multifacetada e nunca se limitou a técnicas ou suportes. Sempre se aventurou através dos materiais, de imagens pré-existentes e de memórias para criar com uma consciência intelectual e generosidade que não enclausuram seus trabalhos entre públicos específicos ou segmentos da sociedade. Como personagem do cenário cultural, Anna Bella é responsável pela orientação, formal ou informal, de centenas de artistas e pensadores que hoje atuam no ambiente da arte brasileira. Como artista, sua trajetória é fundamental para entendermos o desenvolvimento e a complexidade da produção contemporânea. Grande demais para caber em rótulos. Visceral e vitoriosa na guerrilha artística. Nem isso, nem aquilo: Anna Bella Geiger. 

Anna Bella Geiger, Pier and ocean, patas, pés, irmão, ..., 1999
Anna Bella Geiger, Pier and ocean, patas, pés, irmão, …, 1999

SERVIÇO: “Abstrações Utópicas” e “Anna Bella Geiger” na Danielian Galeria, Gávea, Rio de Janeiro, de 8 de dezembro de 2023 a 17 de fevereiro de 2024. Curadoria: Marcus Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto. Consultoria: Anna Bella Geiger. Entrada gratuita

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