Gi Monteiro inaugura exposição sobre o escuro do céu e da terra. Com acompanhamento curatorial de Lucas Dilacerda e texto crítico de Renato Menezes, a mostra acontece na Claraboia e reúne pinturas, desenhos, cerâmicas e instalações.

Na próxima terça-feira, 6 de outubro, Gi Monteiro inaugura a exposição “Umbra”, com acompanhamento curatorial de Lucas Dilacerda e texto crítico de Renato Menezes, às 19h na Claraboia. Realizada em parceria com a Cave, a mostra discute o escuro do céu e da terra através de pinturas, desenhos, cerâmicas e instalações.

Gi Monteiro

“Umbra” parte de um fenômeno ligado à história urbana de Fortaleza, cidade natal de Gi Monteiro. Ao longo de seu processo de urbanização, diversas lagoas foram aterradas, mas, durante períodos prolongados de chuva, essas águas reaparecem, trazendo novamente à superfície cursos que permaneciam no subsolo.

A partir desse fenômeno, a artista desenvolve pinturas, cerâmicas, desenhos e tecidos que investigam as águas subterrâneas e sua relação com a chuva. O reencontro entre essas águas faz surgir no trabalho a ideia de uma memória líquida, capaz de permanecer mesmo quando não está visível.

“As suas obras nos revelam paisagens do escuro do céu, e também do escuro que existe dentro da terra. Suas imagens sugerem dobras, curvas, movimentos, sementes, ovos, células, casulos, pedras, nuvens, água e toda uma vida desconhecida para a qual ainda não temos linguagem para entender. São imagens que fazem um espelhamento fractal entre a vida microcósmica debaixo da terra e a vida macrocósmica em cima do céu.” —Lucas Dilacerda

Nas pinturas sobre tela e cerâmica, Gi Monteiro cria atmosferas associadas ao escuro do interior da terra, apresentado como um espaço onde a vida continua a existir mesmo quando não pode ser vista.

Já os desenhos sobre lonas negras recortadas, intitulados “Nevoeiros”, partem das nuvens como corpos em transformação, capazes de arquivar, condensar e deslocar a água de um território a outro. A exposição conecta, assim, céu e terra e aborda o escuro como um território fértil de germinação da vida.

“A dobra aparece no trabalho de Gi Monteiro através da linha das letras cursivas “e”, “s” e “c”, cujas grafias sugerem um movimento de ida e retorno contínuos, assimilável, no limite, ao fluxo das ondas do mar — motivo constante da arquitetura barroca —, mas também à circulação do sangue pelos dutos do corpo.” —Renato Menezes

Bárbara Banida e Emer Freire inauguram exposição sobre pós-humanismo e vitalismo material. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra acontece na Claraboia e reúne instalações, cerâmicas, pinturas, esculturas e sons.

Já Bárbara Banida e Emer Freire inauguram, no mesmo dia (6), a exposição “Mecanosfera”, com curadoria de Lucas Dilacerda, às 19h, também na Claraboia. Realizada em parceria com a Cave, a mostra discute o pós-humanismo e o vitalismo material através de instalações, cerâmicas, pinturas, esculturas e sons.

O título parte do conceito de mecanosfera, desenvolvido pelos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari, que compreende o mundo como um conjunto de agenciamentos maquínicos, biológicos, tecnológicos, sociais e naturais. Nessa perspectiva, o humano deixa de ocupar uma posição central e a realidade passa a ser entendida como uma rede de conexões na qual não há separação rígida entre tecnologia e natureza ou entre o biológico e o social.

“Esta exposição aproxima as poéticas de Bárbara Banida e Emer Freire por meio do erotismo material. Aqui, vemos seres híbridos, mas não é o hibridismo que nos interessa, e sim o grau zero da vida, ponto ápice do desejo, sem linguagem e sem separabilidade: o instante fulgor no infinito onde não há formas determinadas, na qual tudo que existe é, ao mesmo tempo, o mínimo de determinação e o máximo de possibilidades.” —Lucas Dilacerda

Na produção de Bárbara Banida, essa reflexão se desenvolve a partir de Erotar, planeta ficcional criado pela artista em estado de regeneração. Suas esculturas em cerâmica assumem a forma de criaturas híbridas e paisagens de geografias imaginárias, em uma pesquisa que se contrapõe aos discursos de fim do mundo e ao pessimismo ambiental.

Emer Freire, por sua vez, constrói sistemas por meio do acoplamento de elementos industriais e orgânicos. Ao reunir diferentes materialidades, sua pesquisa questiona divisões estabelecidas entre elas e investiga formas de coexistência entre matérias distintas.

A aproximação entre os dois artistas conduz a uma reflexão sobre as formas como a humanidade historicamente se relacionou com diferentes vidas no planeta e sobre o que a própria matéria pode sugerir em termos de outras relações e futuros possíveis.

“Mecanosfera acontece como dois planetas que se alinham. As poéticas de Bárbara Banida e Emer Freire se aproximam pelo espanto diante da matéria e pelo desejo de imaginar o que ela pode se tornar quando suas divisões deixam de funcionar. Se em Bárbara esse encontro acontece pelo romance, pela força erótica que faz vulcões desejarem estrelas, cometas beijarem a terra e o barro lembrar que nunca esteve separado da Natureza; em Emer ele acontece pelo terror da ficção científica, diante de máquinas, fósseis e matérias alienígenas que já não conseguimos reconhecer como naturais ou artificiais, vivas ou mortas. Bárbara olha para o cosmos e fabula mundos onde a matéria se apaixona; Emer olha para os resíduos deste mundo e constrói agenciamentos em que a matéria reaprende a viver. Uma produz mitologias de atração, o outro cria ecologias de contaminação. Mas romance e terror conduzem ao mesmo lugar: ao desconhecido que surge quando aquilo que parecia separado volta a se encontrar.” —Lucas Dilacerda


SERVIÇO: Exposições “Umbra” — Gi Monteiro e “Mecanosfera”, de Bárbara Banida e Emer Freire com acompanhamento curatorial de Lucas Dilacerda e texto crítico de Renato Menezes. Uma colaboração Claraboia + Cave, com visitação de 6 de outubro a 14 de novembro de 2026 na Claraboia, Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 2906, Jardim América, São Paulo – SP.

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Publicado por:Philos

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