Jose Dávila, artista mexicano, que tem obras em coleções de prestigiosos museus, faz sua primeira exposição no Rio de Janeiro, com oito esculturas feitas especialmente para o espaço de Nara Roesler Rio de Janeiro, além de uma pintura inédita no Brasil. 

Nara Roesler Rio de Janeiro tem o prazer de convidar para a abertura, no dia 10 de setembro de 2026, das 18h às 21h, da exposição Jose Dávila – Natural forms” [Formas naturais]. Jose Dávila (1974, Guadalajara, México) criou, especialmente para o espaço da galeria, oito esculturas com mármore travertino, concreto, metal, vidro, madeira e bronze que são apoiados, equilibrados ou aproximados com o mínimo de intervenção sobre suas formas.

“São esculturas antes da escultura” Jose Dávila 

Para o artista, uma pedra encontrada na paisagem possui uma configuração escultórica. Sem opor o mundo natural ao mundo industrializado, o artista busca a capacidade de reconhecer as formas primárias e, a partir de gestos mínimos e cores sutis, encontrar sua poesia. Além das esculturas, estará na exposição a pintura “The fact of constantly returning to the same point or situation” (2025), em serigrafia e tinta vinílicasobre linho cru.

As esculturas foram concebidas especialmente para a exposição, e para desenvolvê-las, Dávila estudou tudo milimetricamente, criando protótipos, de modo a ter a ideia mais aproximada possível do espaço que utilizará. Ele reproduziu em seu ateliê, em Guadalajara, o espaço da galeria em escala real, e passou a trabalhar dentro dele. As dimensões e proporções das obras respondem diretamente à arquitetura.

Há mais de duas décadas Dávila investiga propriedades fundamentais da escultura, como peso, densidade, volume, massa e equilíbrio. Em “Natural Forms”, essa pesquisa se desenvolve por meio do que o artista chama de “simples ato de posicionar”: colocar objetos em diálogo e observar o que esse encontro produz.

A primeira vez em que Jose Dávila expôs no Brasil foi em 2023, na Nara Roesler São Paulo, em sua individual “Um pirata, um poeta, um peão e um rei”. “Natural Forms” é a segunda exposição do artista no país, e sobre isso ele diz:

“É de um peso cultural extremamente importante. Para mim, expor no Brasil é sempre significativo, pois a arte, a arquitetura e o paisagismo do país me influenciaram muito e estão inerentemente presentes em minha obra.” Jose Dávila 

Para “Natural Forms” [Formas naturais], Dávila aprofundou a afinidade entre sua pesquisa e o Rio de Janeiro através do neoconcretismo. Ao recordar o Manifesto Neoconcreto, redigido pelo poeta e crítico de arte Ferreira Gullar e assinado por Amílcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark e Lygia Pape, entre outros artistas, Dávila observa que o movimento carioca marcou uma separação em relação ao concretismo de São Paulo, deslocando a geometria de um campo estritamente racional para uma experiência mais intuitiva, orgânica e sensível.

“Tento fazer as mesmas perguntas que os artistas que assinaram o manifesto neoconcreto: como levar uma intuição orgânica, sutil e suave à forma geométrica com materiais industrializados?” Jose Dávila 

Essa aproximação entre geometria, intuição e materialidade aparece nos três trabalhos intitulados “Homageto the Square” (2026). O nome faz referência direta à série homônima, iniciada em 1950 pelo artista e professor Josef Albers (1888-1976), e centrada nas relações entre cor e percepção, que permeiam conceitualmente o neoconcretismo. Feitos em metal, vidro e madeira, os novos trabalhos retomam e empregam uma nova técnica desenvolvida por Dávila para aprofundar sua investigação sobre a incidência da luz e as interações entre as cores.

Jose Dávila, Homage to the fable (2026)

A pintura “The fact of constantly returning to the same point or situation” também aborda a relação entre forma, cor e percepção. Na série, Dávila constrói círculos de diferentes cores e consistências, frequentemente incompletos ou interrompidos pelos limites da tela, impedindo que a composição seja apreendida como uma totalidade. A dimensão poética do conjunto aparece ainda nos títulos das obras. “Man made mountain” (2026), escultura composta por concreto, metal e pedras, parte da leitura de Dávila de “A Sand County Almanac” (1949), livro do filósofo e ecologista norte-americano Aldo Leopold (1887-1948), que cunhou a expressão “Thinking Like a Mountain”. No texto, a lembrança do autor de assistir à morte de uma loba conduz à compreensão de que a montanha sabia algo que ele ainda desconhecia. Dávila transporta este trecho para a escultura:

“É aceitar que a forma tem uma razão anterior a nós, que chegamos tarde e não sabemos”. Jose Dávila 

Em conjunto, essas obras dão continuidade à investigação apresentada por Dávila este ano em sua individual “The SimpleAct of Positioning”, na galeria Sean Kelly, em Nova York, mas alteram de intensidade. Segundo o artista, enquanto os trabalhos nova-iorquinos operavam em um ritmo mais intenso, no Rio ele procurou baixar o volume para descobrir o que ainda poderia ser percebido. O baixo volume define o que Dávila chama de “frequência silenciosa” da exposição. “Quero produzir impacto com um sussurro, e não com um grito”, diz. “A pergunta é se, com o mínimo gesto, é possível sustentar uma obra”. “Subtledesire” (2026), escultura em mármore travertino, concreto e metal, condensa no próprio título essa busca.

SOBRE JOSE DÁVILA

Nascido em 1974 em Guadalajara, onde vive e trabalha, Jose Dávila desenvolve uma produção centrada na escultura, que também se desdobra em pintura, desenho e gravura. Fez exposições individuais em instituições como Museo Jumex, Hamburger Kunsthalle, Museo Novecento, Museo Amparo e Dallas Contemporary, e participou das bienais de Lyon, Sydney e Havana. Suas obras integram diversas coleções de prestigiosos museus, como Solomon R. Guggenheim Museum, em Nova York, EUA; Boston Museum of Fine Art,emBoston, EUA;Centre GeorgesPompidou, Paris; Museo Nacional Centro de Artes Reina Sofía, Madri; Museo Amparo, Puebla,México; Museo Tamayo Arte Contemporáneo, e Colección Jumex, na Cidade do México;Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA), Buenos Aires;  Thyssen-Bornemisza Art Contemporary,Viena; e Instituto de Arte Contemporânea de Inhotim, Minas Gerais.

SOBRE A NARA ROESLER 

Nara Roesler organizou sua primeira exposição de arte contemporânea, O desenho em Pernambuco, em 1976, no Recife; mudou-se para São Paulo em 1986, onde consolidou a galeria com seu nome em 1989, sendo hoje uma das principais galeristas do Brasil, reconhecida por desempenhar um papel fundamental na promoção, no fortalecimento institucional e na internacionalização da arte brasileira. Com sede em São Paulo, Nara Roesler expandiu seu programa para o Rio de Janeiro em 2014 e tornou-se a primeira galeria brasileira a estabelecer uma presença internacional ao inaugurar, em 2016, um espaço em Nova York, reforçando seu compromisso com a circulação global da produção artística brasileira e latino-americana. Com o objetivo de fomentar continuamente a prática curatorial e a pesquisa crítica, a galeria criou, em 2004, o Roesler Hotel, programa que promoveu o intercâmbio entre artistas e curadores brasileiros e estrangeiros. Em 2011, foi a primeira galeria de arte contemporânea a criar uma editora, a Nara Roesler Books, hoje com mais de 30 títulos publicados. Desde 2019, a direção artística da galeria é conduzida por Luis Pérez-Oramas, em diálogo com o departamento curatorial da Nara Roesler. Ao longo de sua trajetória, Nara Roesler tem contribuído significativamente para o desenvolvimento das carreiras de seus mais de 50 artistas, oferecendo suporte contínuo e plataformas de destaque para a apresentação de seus trabalhos em importantes instituições e coleções privadas no Brasil e no exterior. Seu programa inclui nomes consagrados, como Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Antonio Dias, Artur Lescher, Daniel Buren, Heinz Mack, Jac Leirner, Julio Le Parc, Sheila Hicks, Tomie Ohtake e Vik Muniz; artistas consolidados de diferentes gerações, como Alberto Pitta, André Griffo, Berna Reale, Bruno Dunley, Jonathas de Andrade, JR e Lucia Koch; e nomes mais recentes, como AsukaAnastacia Ogawa, Elian Almeida, Flávia Ventura, Jaime Lauriano, Manoela Medeiros, Mônica Ventura e Thiago Barbalho.


Serviço: Exposição Jose Dávila – Natural forms” [Formas naturais]. Abertura: 10 de setembro de 2026, das 18h às 21h, com a presença do artista. Em cartaz até 8 de novembro de 2026. Nara Roesler, Rua Redentor, 241, Ipanema, Rio de Janeiro, CEP 22421-030. Entrada gratuita de segunda a sexta, das 10h às 18h; sábado, das 11h às 15h. Canais digitais: nararoesler.art

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Publicado por:Philos

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