Artista integrante de exposições coletivas importantes como “Um Defeito de Cor”, “Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os brasileiros” e Bienal do Mercosul, Pedro Carneiro faz agora sua maior individual, que vai ocupar o Sesc Madureira, no bairro vizinho onde nasceu e foi criado, Oswaldo Cruz. As séries de pinturas, vídeos, fotografias e instalações expostas abordam um universo familiar, que tem como ponto de partida as duas matriarcas da família do artista, Ridete e Luiza, avós materna e paterna. A , a religiosidade, o sonho e a sobrevivência diante da violência e do racismo também estão nos trabalhos de Pedro Carneiro.

O Sesc Madureira sediará a exposição “Antes que a Memória me Esqueça”, com aproximadamente 40 obraspinturas, vídeos e fotografias – de Pedro Carneiro, artista nascido no Rio de Janeiro em 1988. Com curadoria de Raphael Couto, e textos críticos dele e de Clara Machado, a mostra irá ocupar os espaços expositivos do térreo da instituição.

Pedro Carneiro, Um pequeno mundo, 2024

Os trabalhos de Pedro Carneiro partem de sua memória pessoal, principalmente em torno das matriarcas de sua família: as avós materna e paterna, que moravam juntas com as tias do artista em Oswaldo Cruz, bairro vizinho a Madureira. A morte da avó Ridete, em 2023, e a isquemia sofrida pela outra avó, Luiza, provocaram no artista uma urgência em registrar suas memórias. O curador Raphael Couto observa que a exposição “fala de afetos, de vínculos”. “Celebra o matriarcado de duas avós que decidem compartilhar uma casa, celebra a mãe que repete a feijoada de São Jorge, celebra os silêncios”.

Pedro Carneiro ressalta:

“Ainda que sejam relacionadas a minha memória, tento encontrar um lugar familiar na memória de todos que vejam meus trabalhos”. “Mesmo quando eu partir, eu quero que algumas coisas sejam lembradas. A memória é frágil, ela pode se perder, mas resistimos e queremos que ela persista o máximo de tempo possível”.

O artista tem participado de exposições coletivas importantes, como Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os brasileiros” apresentada no IMS Paulista entre setembro de 2021 a abril de 2022, e depois em itinerância em Sorocaba e São José do Rio Preto, em São Paulo, e no Rio de Janeiro, onde esteve no Parque Madureira, em 2022, na Ocupação MAR, e no Museu de Arte do Rio (MAR), de junho a novembro de 2023. No MAR, Pedro Carneiro integrou também a mostra Um Defeito de Cor” (2022/2023), que depois foi apresentada no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador. Entre outras coletivas, também participou de “Parada 7”,  no Centro Cultural Hélio Oiticica e Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio de Janeiro, e da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, todas em 2022.

Raphael Couto afirma que “Pedro reforça os vínculos ao se cercar de amigos para construir a exposição, ampliando uma rede de afetos e de recordações. Tal como defende Oswald de Andrade, a memória aqui não é a fonte dos costumes, mas a experiência pessoal renovada e, sobretudo, ética”.

O curador distribuiu as obras de Pedro Carneiro em três grandes núcleos: o primeiro, relacionado ao cotidiano, ao ambiente familiar e afetivo; o segundo, lúdico, o movimento em busca dos sonhos; e o terceiro com comentários mais diretamente políticos. O artista destaca: “Todo trabalho é político, mas neste segmento da exposição o discurso é mais direto”.

Apresentamos o texto curatorial de Raphael Couto:

Achar a rima que completa o estribilho: a memória é um quintal em Oswaldo Cruz

Há um rosa nos quintais, carrancas e álbuns de famílias, nas espadas de São Jorge e numa coca-cola na mesa do bar. Um rosa onde o cotidiano é mágico e banal, onde se cata o feijão na mesma mesa em que se lê uma história de super-herói. Há um rosa mágico, entre nuvens contempladas de um quintal no subúrbio, uma rosa dos ventos alegórica e pop. E há um rosa direto e absurdo, que avermelha no sangue dos corpos pretos vitimados ao portar pinhos sóis, guarda-chuvas e furadeiras. Rosa acobreado nos cartuchos de traçantes que riscam a paisagem tal qual Pedro risca a parede. O rosa de Pedro Carneiro é manchado, dissonante, colorido. Seja pela materialidade da tinta a óleo ou pelas diversas densidades da vida, a cor atravessa todos os momentos de “Antes que a Memória me Esqueça”, individual do artista carioca na galeria do Sesc Madureira. Embora presente fisicamente nas pinturas – linguagem principal do artista – o rosa se materializa em objetos, fotografias, vídeos e na instalação que compõem a mostra.

“Antes que a Memória me Esqueça” fala de afetos, de vínculos. Celebra o matriarcado de duas avós que decidem compartilhar uma casa, celebra a mãe que repete a feijoada de São Jorge, celebra os silêncios. Pedro reforça os vínculos ao se cercar de amigos para construir a exposição, ampliando uma rede de afetos e de recordações. Tal como defende Oswald de Andrade, a memória aqui não é a fonte dos costumes, mas a experiência pessoal renovada e, sobretudo, ética.

Giordano Bruno destaca que as pessoas éticas são conduzidas à alegria da vida em sociedade. A elas cabe o trânsito entre o divino e o carnal, um vínculo múltiplo. Vínculo do artista que cerca as matriarcas com plantas, as mesmas plantas que existem em Oswaldo Cruz – e em tantos outros quintais – assim como as sagradas, mágicas e de proteção, que ecoam as divindades e reinam repetindo/sampleando a coroa de Basquiat.

Pedro repete rituais, repete cor, repete materiais e imagens. Tem no conceito de sample visual a matriz de sua pesquisa: uma repetição que edita, se apropria, migra de linguagens. As fotografias dos álbuns de família são sampleadas no rosa, o feijão é vídeo e fotografia, a carranca é sal e tinta a óleo.

“Antes que a memória me esqueça” pode ser pensada em três momentos – recortes marcados na arquitetura da galeria do Sesc Madureira: o primeiro, de uma poética do cotidiano do subúrbio, com suas cadeiras de bar, personagens e elementos do cotidiano. O segundo, de uma certa espiritualidade e proteção, evocado nas carrancas e na contemplação dos céus, em diálogo direto com a iluminação que atravessa as janelas projetadas por Índio da Costa, e, por fim, das marcas da violência e resiliência dos corpos pretos na cidade. Há certa fluidez e diálogo entre estes recortes: um pensamento espiralar, como coloca Leda Maria Martins, onde, a partir da concepção fundamental de ancestralidade, tudo coexiste no agora: “as divindades, a natureza cósmica, a fauna, a flora, os elementos físicos, os mortos, os vivos e os que ainda vão nascer”. As plantas, as avós e a camisa canarinho são comuns, sagradas e políticas, como tudo é. Importante destacar o som e as palavras presentes na exposição. Do áudio de whatsapp que ecoa e aconchega e das palavras de ordem: “Fogo nos Racistas não é uma metáfora”, como disse o artista em uma das tantas conversas de ateliê sobre a exposição. Remete a trabalhos de arte sonora do artista, como um corte no tempo e no espaço, um rasgo na espiral. Sampleando o verso de Chico Buarque que dá título ao texto, Pedro busca rimas e marca desafinos no convite a esse samba-rap-feijoada visual. Que tal?

PERCURSO DA EXPOSIÇÃO/OBRAS

O público é recebido pelas fotografias das duas avós, Ridete e Luiza, matriarcas “anfitriãs” da exposição. Pedro Carneiro explica que não costuma trabalhar com fotografia como suporte, mas na pandemia, com a convivência por cinco meses seguidos com as tias para ajudá-las com sua avó, intercalando períodos na casa de sua mãe, em São Pedro da Serra, ele passou a registrar os momentos com a família.

Duas séries de pinturas de plantas estão neste núcleo inicial. “Raízes” (2020), um conjunto de nove trabalhos em tinta acrílica, representando as plantas usadas como proteção por religiões afro-brasileiras, destacadas sobre um fundo de spray dourado. “Do Quintal nº 240” (2024), seis obras em óleo sobre tela, com o fundo em tom de rosa, uma característica do trabalho de Pedro Carneiro, mostram as plantas do quintal da avó Ridete. 

Pedro Carneiro, da série Raízes, Espada de Santa Barbara, 2020

Pinturas com cenas do ambiente familiar, como “Naquela mesa” (2022), “Retomar a memória esquecida” (2022), “Antes de mudar a história da arte da minha rua” (2024), “Aprendendo a respirar (2024), e as avós, em “Raízes, Vó Luiza” (2023) e “Raízes, Ridete” (2023).

Pedro Carneiro, Retomar a memória esquecida, 2022

“Take it easy, my brother Charles” (2021), acrílica sobre tela, mostra sobre fundo rosa um policial de costas, em silhueta, que olha para uma paisagem. “Um dado muito discrepante é que o Brasil tem a polícia que mais mata, e também a que morre mais. Um policial preto que mata um preto. Quero discutir esse sistema. Como se constrói e se perpetua”.

Dois vídeos complementam este segmento: “Um filme para a minha mãe” (2021), 2’18” e “Antes que a memória me esqueça” (2024), 3’41’’.

FEIJÃO: TRADIÇÃO NA FAMÍLIA

Para esta exposição, Pedro Carneiro vai recriar a instalação “Para os meus feijões favoritos, com amor” (2021-2024), resultado de uma residência no espaço Casa da Escada Colorida, na escadaria Selarón, na Lapa, em que o artista iria fazer uma feijoada para distribuir gratuitamente aos passantes no local. Já com todas as panelas e utensílios comprados, veio a segunda onda da pandemia de Covid, e a ação não pode ser feita. Feijão era uma tradição na família de Pedro. Seu avô materno, Nilo, fazia a “melhor feijoada da vida”, e sua mãe é cozinheira, e teve por dezesseis anos um restaurante na Glória, e depois um bar em São Pedro da Serra, fechado na pandemia. Devota de São Jorge, no dia do santo, 23 de abril, ela costumava distribuir feijoada para as pessoas, repetindo uma tradição do avô dela, que fazia o mesmo no dia de seu aniversário, em 1º de maio. Agora, no Sesc Madureira, a instalação será composta por panelas de aço, plantas diversas e spray dourado sobre ferramentas, três pinturas pequenas, fotografia e uma carta do artista.

HERÓI-TROPICAOS-MARGINAL

A segunda parte de “Antes que a Memória me Esqueça” tem um caráter mais  lúdico, e aborda a luta pela realização dos sonhos, a fé, o respiro necessário para admirar a vida, as curas. Pedro Carneiro diz que “faz parte de nossa vida ‘parar e olhar o céu’, em uma apropriação do Cartola” – as pinturas “Ao mergulhar no céu” (2021) e “Leste – Oeste” (2021). Ele menciona o filósofo Hakin Bey (1945-2022) e seu conceito de TAZ (Zona Autônoma Temporária), arte de criar linhas de fuga, de se movimentar encontrando brechas nos sistemas, sem se deixar mapear. “É importante observarmos um autocuidado, nos protegermos” – assunto dos trabalhos “Fé: levei as dores para serem lavadas no mar. I e II” (2020-2024), registros fotográficos da performance feita pelo artista com o sal grosso usado em “Fé”, uma instalação feita em 2020 –  “cuidarmos uns dos outros, e trabalhar para melhorar nossa realidade”.

Na pintura “Herói-tropicaos-marginal” (2023) diferentes personagens estão de frente para o espectador, e alguns, como o herói Pantera Negra, seguram retratos.  Um homem com uma cabeça de cavalo, referência à obra “Seja Marginal Seja Herói”, de Hélio Oiticica, está na imagem, que ainda tem uma carranca, símbolo de proteção presente em outras obras deste núcleo: “Caminhar no mundo” (2022) e “Carranca” (2022-2024), uma instalação com sal grosso e resina epóxi, que “transpira” com o tempo, criando uma crosta, e uma poça em volta, sem no entanto perder a forma. “É fundamental termos cuidado com nosso caminho”, acentua o artista.

PARTE 3 – ESTRELAS CADENTES/BALAS TRAÇANTES

No último segmento da exposição, estão trabalhos que discutem mais diretamente o racismo, a violência urbana e a segurança pública.

“Fósforo de segurança” (2021-2024), derivado de um trabalho feito em 2021, com 111 caixas de fósforo cobertas cada uma por um adesivo com a frase “Fogo nos Racistas”. O artista distribuiu as caixas, e ficou com uma, que estará na exposição “Antes que a Memória me Esqueça”. Outro desdobramento deste trabalho foi feito para a exposição “Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os brasileiros”, chamado “Caixa de Segurança”. A obra faz alusão aos 111 mortos no Massacre do Carandiru, em São Paulo, em 1992, e aos 111 tiros que mataram cinco jovens no crime que ficou conhecido como a Chacina de Costa Barros, no Rio de Janeiro, em 2015, levando, em 2019, os dois policiais militares responsáveis pelo crime à condenação de mais de 52 anos de prisão.

Na pintura “Semelhante, só a cor” (2019), estão representados sobre um fundo em cores vivas – amarelo, vermelho e azul –, uma furadeira, um guarda-chuva e uma garrafa de desinfetante. Esses objetos acarretaram mortes ou prisão de homens negros.  O próprio artista sofreu racismo, que por sorte não teve conseqüências graves. Ao sair de um bar depois do almoço, segurando um guarda-chuva fechado, ouviu gritos de uma mulher, e assustado olhou em volta em busca do motivo do pânico. Até que percebeu que era ele mesmo a razão dos gritos da mulher. O abalo sofrido por ele permaneceu, mesmo após os pedidos de desculpas dela.

Pedro Carneiro, Take it easy, my brother Charlies, 2021

Pedro Carneiro discute ainda o conceito de “balas perdidas”, assunto presente na tese de mestrado em arte e cultura contemporânea que desenvolve na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), e recupera fatos ocorridos na infância. Em um deles, ele estava em seu quarto desenhando, na casa em que morava com a mãe em Santa Teresa, e por algum motivo saiu dali. Sua mãe, que estava na cozinha, ouviu um barulho e correu para o quarto do filho. Quando Pedro voltou, viu sua mãe aos prantos. Uma bala havia atingido a parede, e caído sobre o desenho. Outro acontecimento marcante foi o vivido aos cinco anos. Brincando no espaço aberto que lligava as casas da vila onde o pai, já falecido, morava, no Engenho Novo, Pedro viu estrelas cadentes, diferentes das que já tinha visto durante férias em uma cidade costeira, quando aprendeu que devia se fazer pedidos. Dessa vez, estranhou serem vermelhas, e foi correndo chamar o pai, que olhou para o céu e deu um grito mandando o filho entrar em casa.

OURO DE TOLO

Passando com amigos e a namorada pela Praça Onze, Pedro Carneiro viu um homem vendendo cartuchos usados de armas de fogo. “Uma loucura, aquilo. Como se normaliza um objeto letal, e, pior, vira uma sedução mórbida”, se indigna. Comprou alguns cartuchos, que pintou de dourado e fotografou sobre fundo também dourado, resultando na obra “Ouro de Tolo I” (2020).

Juntando a ideia de “traço” de desenho com a de balas “traçantes”, o artista fez um molde de um cartucho .50, e produziu uma série de pasteis oleosos. Na exposição “Superfície”, em 2023, no Espaço Sergio Porto, ele fez uma performance em que esses  pasteis em forma de cartucho ficavam sobre suportes dispostos verticalmente, para o artista usar traçar com eles linhas horizontais. Raphael Couto insistiu para que Pedro Carneiro gravasse a ação, e este registro se tornou o trabalho “Traçar Traçantes” (2023), 1’53’’.

 

LEMBRAR DE NÃO ESQUECER

Apresentamos o texto de Clara Machado sobre o artista:

Co-memorar

Pedro, me liga.
A avó chama. Uma espécie de ancoramento se instaura no solo das paisagens humanas pelas quais Pedro Carneiro nos convida a transitar. O cenário é o subúrbio do Rio de Janeiro tingido por uma luminosidade rosa, muro de possibilidades projetivas para o espectador. Fresta para o sonho. Pedro nos conta a cidade pelos seus viventes, pelos seus afetos. As matriarcas, as plantas de magia, as plantas do quintal, o boteco, um policial, um bom feijão, alguma melancolia. A cidade é doce, afaga.

Quebre o vidro
A cidade é áspera, machuca. Nesse fragmento de paisagem, não há figura humana além do próprio artista. Pedro se equilibra na corda-bamba dos afetos. Diante da brutalidade que corta a paisagem, opera construindo uma cadeia de deslocamentos – ouro – bala – arma – furadeira – guarda-chuva – pinho sol – ‘de semelhante, só a cor’, o corpo. Desliza com seu corpo o traçante. Ambiguidade limítrofe, o caminho da bala se torna desenho. Pedro não reafirma a brutalidade, mas produz nela uma rachadura. No traço da subversão, constrói seu próprio dispositivo de segurança.

Lacrimar
Reivindicar o direito à leveza. Pedro direciona nosso olhar para cima, dois pedaços de céu parecem nos dizer: para, respira. Uma nova cadeia de deslocamentos se dá na cena, a paisagem é inundada. ‘Mergulhar no céu’, lavar as dores no mar. Pedro inverte o Norte, funda um outro modo de navegação. Para seguir em frente, é preciso olhar para trás. Lamento, magia, expurgação. Em sua mitologia, nos apresenta uma espécie de altar caótico, ‘sample visual’ onde o herói dos quadrinhos encontra a vanguarda, os Brasis, o carnaval. O sal das lágrimas se torna delicado amuleto de proteção. 

Co-memorar
Nesse navegar, uma carranca guarda o caminho percorrido. O gesto de direcionar o olhar para trás carrega em si uma ambiguidade, pois ao mesmo tempo que esse olhar protege (watch your back), ele mantém ativo no horizonte aquilo que passou. Pedro Carneiro nos convida a entrar em seu arquivo afetivo, ‘antes que a memória me esqueça’. Há alguma urgência. Pois a memória, território em que o tempo passado coincide com o tempo presente, é também território do esquecimento. Em suas pinturas, Pedro usa fotografias como base para a construção das imagens. Há nesse procedimento algo da ordem de uma insistência da/na memória, sendo a fotografia um meio de memória. No entanto, a partir do momento em que a imagem fotográfica migra para outro meio – a pintura – se dá ao mesmo tempo um movimento de perda (da memória original) e de fabulação (de um novo espaço de memória). Assim, Pedro rememora a memória, a reelabora, retrabalha. Refunda a memória, a inventa outra vez. Coleta seus fragmentos, seus rastros e traços, produz um sample da memória. E, ao narrar outros passados, lança a possibilidade de novos futuros. 

‘Caminhar o mundo’ na corda-bamba dos afetos, talvez, seja isso. Carregar seus amuletos, insistir nos seus afetos, se manter atento, lembrar de não esquecer

Pedro Carneiro nasceu em 1988, no Rio de Janeiro, onde mora e trabalha. Mestrando em Arte e Cultura Contemporânea pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde se graduou, em 2011, em Artes Visuais. Técnico em Iluminação Cênica pela Escola Fábrica Spetaculu, Rio de Janeiro, 2009. Fez a residência Pesquisa em Artes 2021 do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e foi selecionado para a 13° Bienal do Mercosul, através da Chamada Aberta para a exposição “Transe”. Participa da exposição “Carolina Maria de Jesus, um Brasil para os brasileiros”, do Instituto Moreira Salles em São Paulo, e de “Defeito de Cor”, do Museu de Arte do Rio. Assinou as luzes para os espetáculos “Oboró – Masculinidades negras” e “Capiroto”, ambas com direção de Rodrigo França. Seu trabalho integra a coleção do Museu de Arte do Rio.

Constrói sua produção pautado nas questões relativas à herança diaspórica afro-latina e à cultura pop. Através de pinturas, intervenções urbanas, instalações e desenhos, seus trabalhos refletem histórias reais e inventadas tendo como ponto de partida o reencontro com sua ancestralidade.

Em 2020 recebeu os prêmios Arte como Respiro: Múltiplos Editais de Emergência/Artes Visuais, Itaú Cultural; e Edital Cultura Presente nas Redes SECECRJ – Secretaria do Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.


SERVIÇO: Exposição “Pedro Carneiro – Antes que a Memória me Esqueça”, abertura dia 14 de abril de 2024, às 13h. Até 14 de julho de 2024 no Sesc Madureira, Rua Ewbank da Câmara, 90, Madureira. Terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h. Entrada gratuita.

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