A OMA Galeria  abriu as portas de sua exposição “Vórtex”, com curadoria de Lucas Dilacerda. A coletiva desloca o olhar para o Ceará e apresenta um recorte da produção artística contemporânea do estado. Com a participação de quase 40 artistas, naturais de diversas cidades do estado, indo da capital aos sertões e interiores, a exposição aborda diferentes discussões sob uma nova perspectiva.

Fluxo Marginal, Os ancestrais vem comigo, 2023

Apresentando a riqueza da produção artística da região, a mostra tem como objetivo desfazer a visão estereotipada que o Sudeste tem sobre o Ceará. Como escreve Lucas Dilacerda no texto curatorial:

“Se foi São Paulo quem por muito tempo se autodeterminou porta-voz da arte brasileira, não nos resta brigar pela partilha do bolo, mas sim dizer que não nos falta nada, pois já temos tudo. Se Brasil é o nome de um projeto colonial, Ceará é o nome de uma parábola fantástica.”

Os mais de 40 trabalhos passam por pintura, desenho, escultura e colagem para abordar temas como magia, corpo, ancestralidade, espiritualidade, território e natureza, fugindo das categorizações tradicionais da arte brasileira.  Além da diversidade de técnicas e temáticas, as obras oferecem um vislumbre dos diferentes mundos sociais, políticos e culturais que coexistem no Ceará.

O artista FluxoMarginal, natural de Crato, aborda em suas pinturas a tradição nordestina a partir de uma perspectiva decolonial. A pintura em acrílica “Os ancestrais vêm comigo” é inspirada pelos saberes originários das margens do rio Jaguaribe, celebrando o movimento e a proteção recebidos dos ancestrais daquela região.

Arivanio Alves, Quem protege as travestis no Brasil Retrato de Yn†, 2022

Ferrerin, fotógrafo da cidade de Brejo Santo, propõe ficções sobre afetividades transmasculines e não binárias com o autorretrato “Vamos chamar o vento”, parte da série “Transnordestine”. A colagem digital reúne alimentos ligados às migrações e à ancestralidade cearense com imagens de obras construídas pelo governo federal nas terras do Kariri, como a Ferrovia Transnordestina e a Transposição do Rio São Francisco.

Amanda Nunes, Volte sempre a si mesma, caso você se perca, 2024.
Amanda Nunes, Volte sempre a si mesma, caso você se perca, 2024.

Natural de Ceilândia (DF), Amanda Nunes da Silva se mudou ainda na infância para o interior do Ceará. Na pintura “Volte sempre a si mesma”, investiga a busca da identidade e da própria história como formas de encontrar o autoconhecimento e acolhimento que possibilitam a construção um futuro digno.

Participam da mostra: Alexia Ferreira, Alice Dote, Amanda Nunes, Anderson Morais, Arivanio, Artur Bombonato, Arthur Siebra, Azuhli, Beatrice Arraes, Bento Ben Leite, Blecaute, Celeste, Céu Vasconcelos, Charles Lessa, Darks Miranda, Diego de Santos, Dinha Ribeiro, Ferrerin, FluxoMarginal, Francisco de Almeida, Gerson Ipirajá, Jane Batista, Jonas Van, Juno B, kulumym-açu, Linga Acácio, M.Dias Preto, Marina de Botas, Merremii Karão Jaguaribaras, NEGROSOOUSA, Nicolas Gondim, Plantomorpho, Rodrigo Lopes, Ruy Relbquy, Sérgio Gurgel, Sy Gomes, VORS e Zé Tarcísio.

Alexia Ferreira, Autoestima sem o olhar do outro, 2022

Lucas Dilacerda é curadora e crítica de arte. É sócia da ABCA – Associação Brasileira de Críticos de Arte. Realizou mais de 30 curadorias. Ministrou mais de 60 cursos e 180 apresentações em diversas instituições de arte no Brasil. Possui mais de 30 textos, críticas de arte e artigos publicados. É autora do livro “Pensamento alienígena: a fabulação de novos mundos possíveis”. É coordenadora da CAV – Curadoria em Artes Visuais; do LAC – Laboratório de Arte Contemporânea; e do LEFA – Laboratório de Estética e Filosofia da Arte. Graduada (Licenciatura e Bacharelado) em Filosofia, com ênfase em Estética e Filosofia da Arte, com distinção Summa Cum Laude, pela Universidade Federal do Ceará (UFC); Especialista em Arte e Filosofia Clínica, pelo Instituto Packter; Mestra em Filosofia, com ênfase em Estética e Filosofia da Arte, pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFC; Graduação em Artes Visuais, pela Universidade Estadual do Ceará; e Mestrado em Artes, pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da UFC.

Ao longo de uma década, a OMA Galeria tem trilhado um caminho singular nos diversos espaços e circuitos da arte contemporânea, concentrando-se na representação de artistas jovens e emergentes. Originária de São Bernardo do Campo, desde o início esteve profundamente envolvida com o território, promovendo ações em diálogo direto com a comunidade local. Em 2022, a galeria passou a operar no bairro dos Jardins, em São Paulo. Reconhecendo o papel transformador da arte e do artista, a OMA expandiu sua atuação por meio da OMA Cultural e da OMA Educação, buscando alcançar um público mais amplo e atingir todos os setores da sociedade através de projetos como o Laboratório de Artes Visuais e o Edital de Curadoria.


Vórtex na OMA Galeria, em cartaz até 4 de maio, na Rua Pamplona, 1197 – Casa 4 – Jardim Paulista. Mais informações no site e no instagram da OMA.

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