“Procedimentos para criar um desenho cintilante” reúne videoinstalações e animações que investigam os limites entre desenho, audiovisual e experiência sensorial.

Entre a luz e a sombra, um convite a cintilar o olhar. O artista cearense plantomorpho inaugura a mostra individual “Procedimentos para criar um desenho cintilante” no Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS Ceará) no dia 10 de julho. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a exposição ocupa a Sala Imersiva do museu com obras que atravessam as fronteiras entre desenho, animação e videoinstalação, convidando o público a experimentar a imagem para além do reconhecimento imediato. 

Resultado de uma pesquisa desenvolvida pelo artista entre 2022 e 2026, a mostra reúne três trabalhos — Assombro, Luminar e Salão das Aberrâncias  — que compartilham uma investigação sobre luz, sombra, percepção e fenômenos cosmológicos. As obras dialogam com referências da biologia, da física, da astronomia e da ficção especulativa para construir uma experiência em que a imagem se torna instável, oscilando entre o visível e o invisível.

“Procedimentos para criar um desenho cintilante”, de plantomorpho no MIS Ceará

Segundo plantomorpho, a exposição representa um desdobramento de uma pesquisa que  ele define como uma “poética da cintilação”.

“Essas obras compartilham uma mesma mitologia pessoal e investigam a luz como agente de criação e transformação da matéria. Elas tensionam noções de percepção, conhecimento e vida, aproximando ciência, ficção e metafísica.” —plantomorpho

A pesquisa parte da deformação do desenho e da anatomia para chegar a narrativas inspiradas em eclipses, buracos negros e lentes gravitacionais. Nesse percurso, a cintilação passa a ser utilizada como procedimento estético capaz de provocar instabilidades na visão, fazendo com que o espectador vivencie imagens em constante transformação.

“Procedimentos para criar um desenho cintilante”, de plantomorpho no MIS Ceará

Essa investigação também marca um momento importante da trajetória do artista na aproximação entre desenho e audiovisual. Embora experimente animação desde 2017, foi durante participação no Ateliê Criativo do MIS Ceará, em 2022, que plantomorpho passou a explorar a linguagem das videoinstalações e o potencial da Sala Imersiva como espaço de criação.

“O encontro entre desenho, animação e instalação audiovisual acrescentou uma nova camada ao meu processo criativo. A possibilidade de trabalhar com múltiplas projeções amplia a escala da imagem e transforma a experiência do público, que passa a ser envolvido por esse universo visual.” —Lucas Dilacerda

“Procedimentos para criar um desenho cintilante”, de plantomorpho no MIS Ceará

“Talvez, hoje, imaginar seja um dos gestos mais urgentes que ainda nos restam”. A curadoria de Lucas Dilacerda propõe uma experiência em que cada obra modifica as condições de percepção da seguinte, construindo um percurso em que o visitante deixa de ser apenas espectador para participar ativamente da experiência sensorial.

“A exposição desloca a imagem da condição de objeto para a condição de acontecimento. As obras não foram concebidas apenas para serem vistas, mas para produzir efeitos sobre o corpo, sobre o tempo e sobre a própria percepção.” Lucas Dilacerda

A narrativa curatorial, destaca a curadoria, dialoga diretamente com questões contemporâneas relacionadas ao excesso de imagens, à crise da atenção e às tecnologias da visualidade, propondo uma experiência oposta ao consumo acelerado característico das plataformas digitais.

“Vivemos cercados por imagens que já chegam prontas e imediatamente identificáveis. Aqui, a proposta é desacelerar o olhar. A imagem exige permanência, cria dúvida e faz com que o público reconstrua aquilo que vê aos poucos. A exposição convida o visitante a permanecer nesse intervalo raro em que ainda não sabemos exatamente o nome das coisas. Em vez de oferecer respostas, as obras fabricam perguntas e devolvem complexidade ao olhar.” Lucas Dilacerda

Com uma abordagem que combina desenho manual, animação, projeções e espacialização sonora, “Procedimentos para criar um desenho cintilante” propõe uma reflexão sobre a forma como vemos e somos afetados pelas imagens, transformando a tecnologia em ferramenta para desacelerar a percepção e ampliar a imaginação. A exposição possui um projeto de acessibilidade que contempla ações como tradução em Braille, interpretação em Libras, fonte ampliada, obras táteis e audiodescrição. O espaço do museu dispõe de elevador e arquitetura acessível.

A exposição “Procedimentos para criar um desenho cintilante” conta com apoio da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará) e do Ministério da Cultura (MinC), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc. A produção é da Vermelha – Ateliê de Cultura e a realização é do Governo Federal.

Serviço: Exposição “Procedimentos para criar um desenho cintilante”, de 10 de julho de 2026 a 28 de fevereiro de 2027, no Museu da Imagem e do Som do Ceará, Avenida Barão de Studart, 410, Meireles, CE.

Avatar de Philos
Publicado por:Philos

A revista das latinidades