Pintor presente em várias coletivas, no exterior e no Brasil, como “Crônicas Cariocas” e “Funk”, no Museu de Arte do Rio (MAR), Rafael Baron (1986, Nova Iguaçu) faz agora uma grande individual que ocupará os dois andares expositivos da Anita Schwartz Galeria de Arte, com 21 trabalhos, recentes e inéditos, vários deles em grande formato. Com curadoria de Jean Carlos Azuos, curador assistente do MAR, a exposição apresenta a nova pesquisa do artista, que traz a paisagem para seu trabalho, tanto a rural como a íntima, com cenas de família. Para o curador:
“Este lugar que o Baron nos aponta é dele e ao mesmo tempo um lugar de todos. Ele nos faz entender que está falando de pertencimento, dos vínculos, da dimensão forte deste chão, que é o lugar, mas também é a família.”
A exposição, a primeira do artista na Anita Schwartz, apresenta sua nova pesquisa, com a inserção da paisagem em seu trabalho. Para o artista:
“Tem a paisagem íntima, do lar, e do entorno, em uma afirmação de pertencimento e de fruição da vida” – Rafael Baron
O artista vem de um período de exposições nos EUA nos últimos três anos – as individuais “Pose”, na galeria Albertz Benda, em Nova York, e “Rafael Baron: Portraits”, na mesma galeria, em Los Angeles, ambas em 2022; e no ano anterior “Wishyouwerehere”, no espaço The Cabin, em Los Angeles; e as coletivas “Rollwith It”, na galeria Scott Miller Projects, em Birmingham, no Alabama, e “Fragmented Bodies III”, na galeria Albertz Benda, em Nova York, também em 2021 – e, com trabalhos comissionados, nas coletivas “Crônicas Cariocas” e “Funk”, no Museu de Arte do Rio(MAR).
Em “Meu lugar”, Rafael Baron mergulha no universo de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, onde nasceu e trabalha, em que explora cenários nas paisagens rurais – “ora sozinhas, ora com personagens” – como nas pinturas “Primavera” (2023), “Casa de Campo” (2023), “Marapicu” (2024), “Tinguá” (2024), “Serra do Vulcão” (2024), “Casa de Vó” (2024), “Café, fumo e jornal” (2024) e “Pai e filho no parque” (2024).
“A função estruturante da família, o amor, o afeto, momentos de relaxamento no próprio lar” são cenários íntimos que Rafael Baron mostra na exposição. “É um convite para este lugar idílico”, afirma. “A vida não é só confronto, conflito”. As cenas de lar, de paz e alegria estão presentes nos trabalhos “Reunião de Família” (2024), “Dia das mães” (2024), “Fim de tarde” (2023), “Maurício” (2024), “Casa com piscina” (2024), “Primeiro ano” (2024), “Amor e afeto” (2024), “Lar” (2024), “André, Henrique e Leopoldo” (2024), “Mãe” (2024), “Recanto” (2024) e “Cosme e Lourdes” (2024).
Jean Carlos Azuos destaca que “lar, afeto, amor, localidade são palavras muito fundamentais para Baron”. “Ele traz um território muito particular dele, da biografia que foi construindo. Nas suas pinturas ele vai nos apontando a dimensão de como lida com a família nas viagens, na casa da piscina, nos retratos, e nos ritos de passagem que temos nas nossas vidas, as celebrações.de família, o Dia das Mães…”, afirma o curador.
“Em um outro vértice”, continua, “o trabalho vai caminhando para as paisagens bucólicas”. “Baron nos faz acessar esses espaços, e nos instiga a saber: que lugares são esses? É um trabalho que nos convida para nossa compreensão, as confidências, a troca. Mexe um pouco com nossa fabulação. A pintura ‘Serra do vulcão’: onde será? É Nova Iguaçu, dentro da perspectiva de Rafael Baron? Mas pode ser tantos outros lugares, a partir de locais familiares em outras perspectivas, outras geografias”. Azuos observa também que esta compreensão de Nova Iguaçu se estende para a Gávea, e “os trabalhos dialogam com este trânsito entre esses espaços”. “Ele também tem este endereçamento: parte desses lugares e se assenta na galeria e se coloca para essas e outras interpretações e leituras”.

Rafael Baron nasceu em 1986 em Nova Iguaçu (RJ), onde vive e trabalha. Rafael é graduado em Teologia pela FAECAD e em Fotografia e Fotografia de Estúdio pelo SENAC-RJ. Estudou Desenho (com Sérgio Dias), Pintura (com Celso Mathias) e História da Arte (com Thiago Martins). Também frequentou cursos livres na Escola de Artes Visuais do Parque Lage – EAV (RJ).
Na sua prática artística, desenvolve estudos e pesquisas sobre a pintura figurativa, com um olhar para a poética contemporânea. Seu trabalho parte da leitura da figura humana, por meio da qual detecta as subjetividades da personalidade de cada indivíduo, buscando características singulares no processo de criação de seus personagens. Na sua pesquisa, aborda problemáticas do preconceito social, racismo, LGBTfobia, misoginia etc. Defende a arte como uma poderosa ferramenta de comunicação, que possa contribuir para uma vivência social harmoniosa. Ao propor um diálogo aberto sobre a tolerância e a representatividade, o artista convida o espectador a uma coautoria com cada um de seus personagens.
Rafael foi vencedor do concurso “Garimpo” (2019/2020), promovido pela revista Dasartes e voltado para artistas brasileiros em fase de consolidação de carreira. Em 2021, Rafael apresentou seus trabalhos fora do Brasil pela primeira vez. Em Los Angeles (EUA), o artista apresentou a individual “Wishyouwerehere”, no espaço The Cabin; participou das coletivas “Rollwith It”, na galeria Scott Miller Projects, em Birmingham (Alabama), e “Fragmented Bodies III”, na galeria Albertz Benda, em Nova York, espaço onde também apresentou a individual “Pose”, em novembro de 2022. Também em 2022, apresentou “Rafael Baron: Portraits” na galeria Albertz Benda de Los Angeles, e participou com trabalhos comissionados nas coletivas “Crônicas Cariocas” e “Funk”, no Museu de Arte do Rio (MAR).
Possui trabalhos em coleções particulares e públicas, em instituições nacionais e internacionais, como o Museu de Arte do Rio – MAR (Rio de Janeiro, Brasil) e Pérez Art Museum Miami – PAMM (Miami, EUA).
Serviço: Exposição “Rafael Baron – Meu lugar”, abertura dia 4 de setembro de 2024, das 19h às 21h, em cartaz até 26 de outubro de 2024. Entrada gratuita. Rua José Roberto Macedo Soares, 30, Gávea, 22470-100, Rio de Janeiro. Saiba mais em www.anitaschwartz.com.br