Temos a alegria de anunciar o início da pré-venda do livro “Sentado à beira do caminho”, de Rodrigo Giovelli. Estreia do autor na prosa, esse belíssimo livro de contos reúne também ilustrações de Henrique Cobra (-Cots). CLIQUE E COMPRE O SEU AGORA EM NOSSA LOJINHA!

Abaixo você lê um dos contos do livro:

Dona Antônia

Há em mim uma memória bonita de quando minha avó fazia tricô, distribuindo para toda a família toalhas de mesa de todo colorido. Lembro-me de ter um desses em casa, mas há anos não os vejo, nem na minha, nem na casa dela, ou na casa dos meus tios e tias, que são tantos. Me pergunto o que foi feito deles? Sei, essas coisas desfazem rápido, mas ficam na memória da gente por mais tempo. Penso ser menos colorido do que de fato me lembro, mas eu gosto mais da forma como imagino mesmo assim.

Dona Antônia, quais perguntas se fazem os artistas? Acredito ser isso mais importante do que as respostas que podem tentar nos dar. Pois cada história é um escopo, e um esboço é melhor do que a figura inteira, já que bem não podemos ter a resposta completa de tudo, por hora. Pois de alguma forma tenho tentado te falar esse tempo inteiro de algo muito maior olhando para essas coisas pequenas.

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Ao acordar, olhei pelo lado de fora da janela, por trás da telinha dos mosquitos havia uma alta palmeira, com suas grandes folhas verdes balançando ao suave toque do vento, tão, tão distante do azul do céu e suas nuvens. Era manhã de domingo. Hoje me dizem de tantos perigos que cercam a cidade, mas naquele tempo eu não sentia nada disso. Creio não ter estado mais tranquilo durante toda a minha vida, na verdade.

Você se lembra? Eu sempre gostava de acordar mais cedo, sentava no lado externo da casa: atrás do portão a gente tinha o mundo inteiro, e era bom imaginar. Quando chegava a minha tia, trazendo o pão, e a gente se reunia, em família, em volta da mesa para tomar o café da manhã.

Dona Antônia vinha como podia, e a gente se alegrava em esperar. Ela ficava o tempo inteiro em silêncio, estando alegre só por a gente estar lá. Após o café ela ia para o seu jardim improvisado, cuidar das suas plantinhas, cuidando com carinho, gostava de ver as folhas verdes e o cheiro das flores. Os vasinhos que se enfileiravam ao decorrer da parede, me pego pensando neles.

No almoço Dona Antônia fica no pé da minha tia, dando dicas e se intrometendo no preparo da comida. Ela já não podia cozinhar, mas gostava de fazer parte, servir a família era o maior prazer. E seus filhos e filhas todos reunidos, na tarde de domingo. E vinha também o vizinho e um outro amigo, um parente distante que também era querido, e a casa toda cheia: a casa era grande pra isso mesmo, pra caber todo mundo, mesmo que espremido.

A tarde ia caindo e a família toda em volta da mesa, isso não me lembro, eu invento: Dona Antônia começava a tricotar. De suas mãos ia crescendo, em tons de laranja, branco, verde e preto, uma manta, a envolvendo por inteiro. E logo a manta ia crescendo até me pegar pelo peito, passava também pelo meu pai, minha mãe e irmã, também meus tios e tias, e todos os meus primos, passavam também pelo resto da família inteira e todos ali daqueles que de alguma forma se importavam com isso. A manta tão linda que era nos cercando todos de carinho.

Ao fim da tarde, ela repartia a manta em pedacinhos, e cada um levava para casa uma toalha de mesa, que era muito mais do que isso.

Pois o tempo passa, e hoje Dona Antônia está no seu quarto. Eu arranjei um novo bebedouro, e bem queria pôr nele uma dessas mantas dela, ideia da minha namorada. Como o tempo passa! Os netos cresceram, e seus filhos já estão com a vida feita. Dona Antônia fica em seu quarto esperando a visita deles, já sem força para cuidar do jardim ou da comida, mas ainda de alegria imensa em ver a sua casa cheia. O tempo passa. Veja a família linda que a senhora construiu.

Escrevo essa história como uma oração, lembrando de ti.


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Rodrigo Giovelli nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo, onde passou a infância e grande parte da juventude. Imaginativo, histórias sempre perfumaram os seus dias, contadas pela família e amigos ou lidas nos livros e entrelinhas. Mudou-se para a cidade de São Paulo para cursar economia, logo abandonou o curso para estudar cinema. Neste tempo, se converteu ao cristianismo, inflamando-o com beleza e esperança. Hoje formado, trabalha com audiovisual, mas sempre mantendo a literatura pelas reticências. Seu primeiro livro, “Sentado à Beira do Caminho”, é reflexo natural de inventar e escrever porquanto anda, por aí.

Henrique Cobra (-Cots) é um designer gráfico/ilustrador carioca. Suas obras refletem sentimentos internalizados sobre como o mesmo enxerga o mundo a sua volta.

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