Ressonâncias da Amplidão
Ensaios sobre o espiritual na arte
Sobre manter-se aberto
Seja muito bem vindo! Sim, você que está justamente lendo a estreia desta coluna que será publicada na primeira sexta-feira [dia de Vênus] do mês. Trata-se de reflexões, pensamentos, poemas, opiniões, obras e manifestações artísticas sobre o imenso universo imaterial que nos circunda e afeta. Meu objetivo é iniciarmos juntos uma frutífera jornada para maior compreensão da nossa completa existência e consequentemente exercitar a expansão da consciência.
Nesta terceira edição estrelando como convidado especial do mês temos o autointitulado: “Exú Fabio Marcondes, o Cigano da Curva de Rio” — Fábio Marcondes —, que é natural de Votorantim, escritor, artista e terapeuta especializado na área de dependência química. Chegou ao ateliê em 2016 e aqui ficou trabalhando, ora intensamente ora esporadicamente. Assim fixou seu lugar, lugar esse que lhe proporcionou, em seu momento, o desenvolvimento de uma linguagem plástica/visual própria, que serviu de descanso e pausa onde o autoconhecimento unido ás forças que reuniu, o impulsionaram a seguir sua jornada de superação, esperança e transcendência.
Hoje, munido de toda a experiência de quem mergulhou nos abismos desta Terra e de lá emergiu como instrumento vivo, altamente intuitivo e de bom coração, segue sua intensa busca compartilhada de expansão e desenvolvimento contínuos. Atualmente oferece sessões de terapia para reconstrução do bem estar aos seres adoecidos pela dependência química e outras obssessões da nossa realidade contemporânea.
E celebremos nossos felizes encontros através das imagens de vivências no coworking La Cabane, itinerâncias com projetos, oficinas infantis e murais sobre o tarot e com Jorge Pereira editor chefe desta revista nas residências e feiras literárias, ele um queridão! que conheci justamente apresentado por Fabio Marcondes.
Todos à bordo? Então vamos lá!
Tratemos ainda e sempre sobre o valor humano do Amor! Mais especificamente sobre valores correlatos do Amor. Segundo minha percepção, o valor correlato que ilustra o Fabio:
Comprometimento: é o cumprimento da intenção em palavras, sentimento e ação. É a fidelidade aos acordos tratados. O comprometimento está ligado á dedicação, pois só pode haver comprometimento havendo dedicação. [1]
E o valor correlato que ilustra o Jorge:
Generosidade: é a capacidade de doar bens afetivos, intelectuais, espirituais e materiais ao outro, sem expectativa de retribuição ou de resultado. Essa é a generosidade verdadeiramente amorosa. Doar amor através do conforto afetivo e das palavras. A generosidade, geralmente está relacionada com o amor e visa aliviar o sofrimento do outro. A generosidade sempre é motivada pelo amor, no entanto, deve implicar em dicernimento. Generosidade sem dicernimento é indiscriminação, pode levar á desvalorização e desperdício do que é oferecido. [2]
[1 e 2]: Manual dos Valores Humanos, Raíssa Cavalcanti, Patricia Hernandez e Vivianne Marzola (Fundação Itaú Cultural), São Paulo, 2011, p. 66.
Passemos aos mestres:
É em prol daqueles que virão depois de nós
Que trabalhamos arduamente
Que suportamos as adversidades
Que aramos o terreno e deixamos prontas
as sementes
É em prol daqueles que virão depois de nós
Que você, Shinmin,
Deixa escritos esses versos
—Shinmin Sakamura, da província de Ehime
São João da Cruz (1542-1591), um dos maiores poetas místicos, descreve a subida ao Monte Carmelo como um caminho iniciático para chegar à Totalidade. Segundo ele, existem três caminhos pelos quais os espíritos podem trilhar: o caminho do espírito imperfeito, a senda estreita da perfeição e o caminho do espírito errado:
Caminho do espírito da imperfeição do céu:
gloria, gozo, saber, consolo, descanso.
Senda do Monte Carmelo, espírito de perfeição:
nada, nada, nada, nada, nada, nada,
E mesmo no monte: nada
Caminho do espírito de imperfeição no solo:
possuir, gozo, saber. Consolo, descanso. [3]
A subida da montanha se dá lentamente, através de um processo interno de transformação profunda da consciência e que pressupõe a honestidade e a coragem de se olhar de frente, que gera autoconhecimento, a fé inabalável e a necessária firmeza espiritual para o alcance dessa meta.
[3] Os Símbolos do Centro, Raïssa Cavalcanti, São Paulo: Perspectiva, 2008, p. 82
*Os Melhores Poemas de Amor da Sabedoria Religiosa, São João da Cruz, Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 15
Como sentir que pertencemos ao Divino e que o Divino está agindo em nós?
Não com a cabeça, embora seja possível começar por ela, porque a luz toca primeiro a cabeça. Deve-se sentir com a própria sensação, isto é, sentí-lo em uma aspiração flamejante que procura se realizar. Por exemplo, como pode acontecer as vezes com um atleta; suponhamos que você está tentando levantar um peso e está imensamente concentrado nisso. De repente, você sente sem saber como, que uma outra força está levantando o peso: algo se apossou de suas mãos, obrigando-o a fazer o impossível.
O corpo parece não existir nesse momento. Muitos escritores têm também a mesma experiência. Há alguma coisa nele que não é o seu próprio eu, que pensa, vê muito mais claramente, é infinitamente mais consciente, que organiza os pensamentos e as palavras. Não é o escritor quem escreve mas esse algo mais. Nesses momentos a pessoa que se esforça e tenta, não está mais presente. De fato, para a experiência ser completa e não ser perturbada, a pessoa física deve conservar-se quieta tanto quanto possível. [4]
[4] O Yoga de Sri Aurobindo, Nolini Kanta Gupta, São Paulo, Shakti, p. 212-213.
Uma boa estrela para todos e hasta la vista maio!
Resonancias de amplitud
Ensayos sobre lo espiritual en el arte
Sobre permanecer abierto
¡Sea muy bienvenido! ¡Sí tú! ¿Quién está leyendo precisamente esta columna que seguirá publicándose el primer viernes (Día de Venus) del mes. Son reflexiones, pensamientos, poemas, opiniones, obras y manifestaciones artísticas sobre el inmenso universo inmaterial que nos rodea y afecta. Mi objetivo es iniciar, juntos, un viaje fructífero hacia una mayor comprensión de nuestra existencia completa y en consecuencia ejercer la expansión de la conciencia.
En esta tercera edición, como invitado especial del mes tenemos al homónimo: “Exú Fabio Marcondes, o Cigano da Curva de Rio”, — Fábio Marcondes —, de Votorantim, escritor, artista y terapeuta especializado en el área de dependencia química. Llegó al estudio en 2016 y trabajó aquí, a veces de forma intensa y otras de forma esporádica. Fue así como estableció su lugar, un lugar que le proporcionó, en su momento, el desarrollo de su propio lenguaje plástico/visual, que le sirvió de descanso y pausa donde el autoconocimiento combinado con las fuerzas que reunió, lo impulsaron a seguir su camino de superación, esperanza y trascendencia.
Hoy, armado con toda la experiencia de quien se sumergió en los abismos de esta Tierra y emergió de allí como un instrumento vivo, muy intuitivo y de buen corazón, continúa su intensa búsqueda compartida de continua expansión y desarrollo. Actualmente ofrece sesiones de terapia para reconstruir el bienestar de personas que padecen dependencia química y otras obsesiones de nuestra realidad contemporánea.
Y celebremos nuestros felices encuentros a través de imágenes de experiencias en el espacio coworking La Cabane, recorridos con proyectos, talleres y murales sobre tarot y con Jorge Pereira, editor jefe de esta revista, por las residéncias de arte y ferias literarias, él un muy querido! a quien conocí, presentado justamente por Fabio Marcondes.
¿Todos a bordo? ¡Entonces vamos alla!
¡Hablemos todavía y siempre del valor humano del Amor! Más concretamente sobre valores relacionados con el Amor. Según mi percepción, el valor relacionado que ilustra Fabio:
Compromiso: es el cumplimiento de la intención en palabras, sentimientos y acciones. Es fidelidad a los acuerdos tomados. El compromiso está ligado a la dedicación, pues sólo puede haber compromiso si hay dedicación. [1]
Y el valor relacionado que ilustra Jorge:
Generosidad: es la capacidad de donar bienes emocionales, intelectuales, espirituales y materiales a otro, sin expectativa de retribución ni resultados. Esta es la generosidad verdaderamente amorosa. Donar amor a través del consuelo emocional y de las palabras. La generosidad generalmente está relacionada con el amor y tiene como objetivo aliviar el sufrimiento de los demás. La generosidad siempre está motivada por el amor, sin embargo, debe implicar juicio. La generosidad sin juicio es indiscriminada y puede conducir a la devaluación y el despilfarro de lo que se ofrece. [2]
[1 y 2] Manual de Valores Humanos, Raíssa Cavalcanti, Patricia Hernandez y Vivianne Marzola, São Paulo: Fundación Cultural Itaú, 2011, p. 66.
Pasemos a los másteres:
Es por el bien de aquellos que vendrán después de nosotros.
que trabajamos duro
Que aguantamos la adversidad
Aramos la tierra y la dejamos listas
las semillas
Es por el bien de aquellos que vendrán después de nosotros
Que tú, Shinmin,
Deja estos versos escritos
—Shinmin Sakamura, de la prefectura de Ehime
San Juan de la Cruz (1542-1591), uno de los más grandes poetas místicos, describe la ascensión al Monte Carmelo como un camino iniciático para alcanzar la Totalidad. Según él, hay tres caminos que los espíritus pueden seguir: el camino de la espíritu imperfecto, el camino angosto de la perfección y el camino del espíritu equivocado:
Camino del espíritu de la imperfección del cielo:
gloria, gozo, conocimiento, consuelo, descanso.
Camino del Monte Carmelo, espíritu de perfección:
nada, nada, nada, nada, nada, nada,
Y hasta en la montaña: nada
Camino del Espíritu de la Imperfección en la Tierra:
poseer, disfrutar, conocer. Consuelo, descanso [3]
El ascenso a la montaña se realiza lentamente, a través de un proceso interno de profunda transformación de la conciencia y que presupone la honestidad y el coraje de mirarse a la cara, lo que genera autoconocimiento, fe inquebrantable y la firmeza espiritual necesaria para alcanzar esta meta.
[3] Los símbolos del centro, Raïssa Cavalcanti, São Paulo: Perspectiva, 2008, p. 82
*Los mejores poemas de amor de la sabiduría religiosa, São João da Cruz, Río de Janeiro: Ediour, 2001, p. 159
¿Cómo podemos sentir que pertenecemos a la Divinidad y que la Divinidad actúa dentro de nosotros? No por la cabeza, aunque es posible empezar por ella, porque la luz toca primero la cabeza. Hay que sentirlo con la sensación misma, es decir, sentirlo en una aspiración llameante que busca hacerse realidad. Por ejemplo, como a veces puede pasar con un deportista; Suponga que está intentando levantar un peso y está inmensamente concentrado en él. De repente, sientes, sin saber cómo, que otra fuerza levanta el peso: algo se ha apoderado de tus manos, obligándote a hacer lo imposible. El cuerpo parece no existir en ese momento. Muchos escritores también tienen la misma experiencia. Hay algo en él que no es él mismo, que piensa, ve mucho más claramente, es infinitamente más consciente, que organiza sus pensamientos y palabras. No es el escritor quien escribe sino otra cosa. En estos momentos la persona que se esfuerza y lo intenta ya no está presente. De hecho, para que la experiencia sea completa y sin perturbaciones, la persona física debe permanecer en silencio tanto como sea posible. [4]
[4] El Yoga de Sri Aurobindo, Nolini Kanta Gupta, São Paulo, Shakti, p. 212-213.
¡Una buena estrella para todos y hasta la vista mayo!
O espiritual na sua arte [lo espiritual en su arte]:
O espiritual na minha arte é a retratação subjetiva de toda perfeição que habita no imperfeito, a forma de exprimir o inexplicável que sacia a obsessão de domínio e controle intelectual, tendo-a como elemento representativo intuitivo de elo, justaposto à consciência individual e coletiva. Onde, inclusive, se conecta com a vida sem a necessidade de compreensão pelo simples fato de a vida simplesmente ser, sendo, portanto, eu apenas mais uma partícula compondo o cosmos, tão logo, micro e macro num estado pela impermanência, ausentando-me de ter e ser, e assim… sendo!
Lo espiritual en mi arte es el retrato subjetivo de toda perfección que habita en lo imperfecto, la manera de expresar lo inexplicable que sacia la obsesión por el dominio y control intelectual, teniéndolo como elemento representativo intuitivo de un vínculo, yuxtapuesto a lo individual y lo colectivo. conciencia. Donde incluso se conecta con la vida sin necesidad de comprensión por el simple hecho de que la vida simplemente es, por lo tanto, soy una partícula más conformando el cosmos, tan micro y macro en estado de impermanencia, ausentándome del tener y del ser, y entonces… ¡ser!
Seu processo criativo [su proceso creativo]:
Meu processo criativo é totalmente instintivo, meu trabalho artístico conversa entre desenhos e pinturas, xilogravura e a escrita, existo numa comunhão pela literatura e manifestações simbólicas que somente a arte atende. Minhas construções nascem com a observação da vida e de mim mesmo, ora ascendendo num chamado pontual, em outras algo continuado, dialogando entre dramatizações poéticas e formas que aparecem em grafite e tinta.
Mi proceso creativo es completamente instintivo, mi trabajo artístico combina dibujos y pinturas, xilografías y escritura, existo en una comunión a través de la literatura y manifestaciones simbólicas a las que sólo sirve el arte. Mis construcciones nacen de la observación de la vida y de mí mismo, a veces ascendentes en un llamado puntual, otras algo continuo, dialogando entre dramatizaciones poéticas y formas que aparecen en grafito y tinta.
Inspiração [inspiración]:
Minha inspiração se dá muito ao abstracionismo, a linguagem cubista, porém, o meu toque de identificação vem com a romantização alquímica, transitando entre Gustav Doré, William Blake, um pulo até Miró e uma pitadinha de Kandinsky, contudo, há um nome que não compete a arte visual e sim a arte intelectual-espiritual que é Jiddu Krishnamurti, traduzindo pontes entre a mente, o corpo, sentimentos e a natureza enigmática espiritual.
Mi inspiración viene mucho del abstraccionismo, el lenguaje cubista, sin embargo, mi toque de identificación viene con la romantización alquímica, moviéndome entre Gustav Doré, William Blake, un salto a Miró y una pizca de Kandinsky, sin embargo, hay un nombre que no Compite el arte visual, sino el arte intelectual-espiritual que es Jiddu Krishnamurti, traduciendo puentes entre la mente, el cuerpo, los sentimientos y la enigmática naturaleza espiritual.
Cor [color]: azul
Sabor: agridoce [agridulce]
Sensação [sentimiento]: orgasmo
Som [sonido]: contínuo, denso [continuo, denso]
Mensagem [mensaje]: minha mensagem é só uma: Inventa o teu rolé, malandro! Mas, até lá, desfrute o máximo de experiências. Ao encontrar o teu rolê, cultive, porém, mantenha-se aberto. [Mi mensaje es solo uno: ¡Inventa tu papel, sinvergüenza! Pero hasta entonces, disfruta de tantas experiencias como puedas. Cuando encuentres tu papel, cultívalo, pero mantente abierto.]
Carola Trimano, artista visual, arte-educadora e produtora cultural, coordena o atelier itinerante Pássaro de Papel e o Finart – Festival Internacional de Arte.