todos os dias todas
as mulheres se encostam no umbral
vendo o sol acordar
o galo
a sorte
a morte
todos os dias todas
essas mulheres descobrem o amor
o rio de janeiro é muito quente
não há perigo de cobertor
uma decide pelo vestido
florido de girassóis
outra digita um bom dia no celular
reescreve o amor de todas
as formas
de cada uma das mulheres
encostadas no mesmo umbral
pensando a mesma coisa:
o amor é danado
viçoso
te comeria como
um morango maduro
doce, talvez
amargo mas
não é tempo de serenatas
é tempo de desdobramento
da mulher amada
na mulher que ama
todas elas, em uma janela
prontas para dirigir o avião.


PRISCILA BRANCO é poeta, mestre e doutora em literatura brasileira pela UFRJ, pesquisadora da poesia contemporânea escrita por mulheres brasileiras fora do cânone, editora da revista toró e da Macabéa Edições, além de ser colunista da revista cassandra. Também faz parte do Núcleo Interdisciplinar de Estudos da Mulher na Literatura (NIELM-UFRJ) e do grupo de pesquisa Mulheres na Edição (CEFET-MG). É Analista de Literatura no Sesc Nacional.

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