A América Latina carrega as marcas de uma história de resistência, onde as mulheres têm sido protagonistas na defesa da terra, das águas e dos modos de vida sustentáveis. Esta coletânea dá voz a essas mulheres — indígenas, afrodescendentes, camponesas, cientistas, ativistas e artistas — que, por meio de suas narrativas e práticas, reafirmam que a luta ambiental é também uma luta feminista. Neste livro, os temas são diversos: a interseccionalidade entre a crise climática e o racismo ambiental e estrutural, vozes que ecoam das periferias urbanas aos quilombos, das megalópoles ao campo e as inter relações socioambientais por elas atravessadas para repensar a relação entre humanidade e natureza.
Em meio a esse panorama, a coletânea também nos convida a refletir sobre o papel das artes na luta contra a crise climática e as desigualdades. A sensibilidade estética não é um mero adorno, mas um meio poderoso de sensibilização e transformação.

A obra visual abstrata de Tainá Camilo, que ilustra e compõe todo este livro, traduz em formas e tons escurecidos a intensidade da luta e da esperança, capturando as nuances e profundidades que revelam a força: do feminino, da Terra. Seu trabalho dialoga com as palavras destas mulheres, criando um tecido de significados que atravessa tempos, conjunturas e territórios.
A reunião dessas múltiplas perspectivas em um só livro é um feito essencial e urgente. Em tempos de desmatamento acelerado, secas extremas e catástrofes ambientais, escutar as mulheres latino-americanas não é apenas uma questão de representatividade —é uma necessidade para a sobrevivência coletiva.
50 Escritoras Neolatinas Contemporâneas é um convite à escuta, ao diálogo e à ação, pois o conhecimento e as histórias aqui compartilhados são chaves para imaginar e construir futuros possíveis.
Que esta coletânea nos inspire a reconhecer a potência das vozes femininas latino-americanas e a fortalecer alianças para um mundo mais justo e sustentável. A resistência está em cada página, em cada palavra, em cada imagem. Cabe a nós seguir ouvindo, aprendendo e agindo. Juntas.
Leia os textos da coletânea:
MINHA CASA, MINHAS NEUROSES —Beatriz Paoliello Fernades dos Reis
PARA ELES QUE PAVIMENTARAM NOSSOS CAMINHOS… —Solange Maria dos Santos Barbosa
TAINÁ CAMILO (1984, Rio de Janeiro, RJ) Possui formação em Design de Moda e pós-graduação em História da Arte, ambas pela Universidade Estácio de Sá, e em pintura pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Em sua prática artística, busca trazer por meio do gesto, desejos e abstrações do que se expande e tende a eclodir, bem como a corporeidade e o movimento, que são transferidos e materializados pela linguagem da pintura. Participou do 7º ciclo de residência artística da Casa da Escada Colorida e colaborou com instituições e espaços autônomos de arte como a Casa Philos e a Galeria Nômade.