Navegar pela SP—Arte Rotas 2026 foi revisitar saudades, de tempos de performances e obras com resquícios de registros, daquela coisa mais crua ou que podemos dizer assim: de resistência.
Destaque para Raphael Escobar (GDA) com sua pesquisa que te mete em confusão na estética Erudita, mas que conduz à cultura popular e que te abre um sorriso.
Gosto da memória e política que Cadeh Juaçaba (Cave), Edson Atikum (Boi) e Sandro Ayê (Mitre) reposicionam, sem medo, clássicas simbologias — da folha de café a Lygia Clark, da imponência e encanto das carrancas a brincadeiras que só Exu pode nas terras brasileiras.
Foram encruzilhadas de paixões. Ainda no amor, a delicada narrativa da Lume com sua delícia de romantismo, me fez lembrar que também posso voar enquanto mulher com Clara Moreira. Brava!
De outras naturezas que ah, isso sempre vai me tocar, mas que pontuo como técnica: Yohannah de Oliveira que te faz ter certeza de um osso não osso e/ou organicidades na WG, Paulo Agi (Gruta) com a inversão de tirar matéria da tela, mas com adição de moldura como cerca dos bichos e Gustavo Diogenes na Marco Zero, com sua sombriedade e sagacidade de luz e sombra.
Eu que caminho entre 8 e 80 não deixei isso de lado em meu Top 8 da feira.
- Raphael Escobar (GDA)
- Cadeh Juaçaba (Cave)
- Edson Atikum (Boi)
- Sandro Ayê (Mitre)
- Clara Moreira
- Yohannah de Oliveira (WG)
- Paulo Agi (Gruta)
- Gustavo Diogenes (Marco Zero)
Maria Gabrielle (São Paulo, 1990) é artista visual e artesã. Paulistana e candomblecista, sua prática revela o desejo de conexão constante com a força do divino, enquanto moradora de uma grande metrópole. Acredita no contato com a natureza como resgate essencial, dissolvido na vida contemporânea. Se interessa pelos recursos humanos, dentre a sensorialidade, a intuição, os relacionamentos e o uso das mãos, representados em suas obras por técnicas têxteis, com ênfase no macramê, fibras naturais e cores terrosas. A artista transforma tecidos de grande escala em instalações e esculturas expostas em ambientes urbanos, extrapolando o espaço físico e a linha tênue entre o real e o lúdico. Sua trajetória começou como estilista (formação em Design de Moda), passando pela passarela vanguarda e especializações em Londres. Percorre há quase 10 anos como educadora, com projetos no SESC SP, onde criou diversos cursos e oficina de técnicas têxteis. Em suas produções, gere artesãos para construções em conjunto, assim como em seus cursos, com foco na cosmologia coletiva e espaços de adoração ao que considera sagrado.